O difícil caminho da base ao elenco principal

A “Era Roman Abramovich” consolidou o Chelsea como um dos principais times da cena inglesa, europeia e mundial. O bilionário russo, desde sua chegada, investiu centenas de milhões de libras em jogadores badalados, sempre com o objetivo de conquistar títulos, sobretudo a UEFA Champions League, alcançada naquele memorável 19 de maio de 2012. Entretanto, algumas características são marcantes nesse período: a ausência de revelações e a dificuldade das jovens promessas em fazer a transição da base para o profissional.
A quantidade de jogadores emprestados pelos azuis de Londres na temporada 2016/17 impressiona: ao todo, mais de 35. Apesar de alguns serem contratações que jamais conseguiram demonstrar futebol ou potencial para jogarem no Chelsea, como Papy Djilobodji e Juan Cuadrado, a imensa maioria é de jogadores na casa dos 20 anos, revelados na base ou contratados para integrá- la e que são enviados Europa à fora em busca de minutos e oportunidades, o que dificilmente encontrariam em Stamford Bridge. Podem ser citados, como exemplo, Andreas Christensen, Tammy Abraham e muitos outros.

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A estratégia de emprestar jogadores para que adquiram experiência é extremamente válida e já se mostrou eficaz. A confirmação dessa afirmação pode ser encontrada nos sucessos do zagueiro dinamarquês Christensen, em suas duas temporadas no Borussia Mönchengladbach, e, ainda, do atacante Abraham, que marcou impressionantes 23 gols em 41 jogos pelo Bristol City. Ambos alcançaram a titularidade nas suas equipes e muitas são as especulações envolvendo seus futuros. O artilheiro inglês, renovou seu contrato por mais 5 temporadas antes de seguir para um novo empréstimo, desta vez para o Swansea.
Na campanha do título 16/17, Nathaniel Chalobah, Ola Aina, Ruben Loftus-Cheek e Nathan Ake (reintegrado em janeiro junto ao Bournemouth) foram as “pratas da casa” que compuseram o elenco. Uma coisa é certa para os quatro: nenhum integrará o elenco do Chelsea na temporada 2017/18. Chalobah (£5,5 mi, para o Watford) e Ake (£20 mi, para o Bournemouth) saíram em definitivo, enquanto Ola Aina (Hull City) e Loftus-Cheek (Crystal Palace) foram emprestados para ganhar mais rodagem e experiência na Premier League.
Resta saber se os que continuam e os que retornam de empréstimo terão mais chance para se desenvolverem em seu clube formador. A esperança é que sim; a julgar pelas especulações de transferências até o momento, é difícil afirmar.
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