A euforia da vitória não pode mascarar os problemas que temos



A vitória de domingo, 20, sobre o Tottenham, rival londrino e provável concorrente direto pelo título da Premier League, mostrou a força que o Chelsea ainda tem, apesar das diversas saídas, poucas contratações e alguns problemas extracampo. A vitória se deveu muito mais ao esquema tático do que à habilidade e à qualidade técnica que o time e os jogadores demonstraram. Mostrou, ainda, a capacidade de Antonio Conte de se adaptar a situações adversas, uma vez que os desfalques foram, novamente, muitos, e a solução encontrada pelo treinador foi a mudança do posicionamento da equipe em campo.

Da mesma forma como a derrota para o Burnley não deveria servir de razão de desespero, a vitória sobre o Tottenham não deve levar à euforia desmedida. Reforços não passaram a ser mais necessários após a derrota, bem como se tornaram menos importantes após o triunfo no jogo de ontem. As carências do elenco ainda são claras, tanto em termos de quantidade quanto de qualidade. Com o fechamento da janela cada vez mais próximo, as especulações sobre a chegada de reforços estão cada vez mais em alta, mas nenhum anúncio oficial foi feito, desde a confirmação de Morata.

A grande esperança dos azuis de Londres, neste momento, recai sobre seu comandante. A revolução que Conte vem fazendo na Premier League é notória, a começar pela implementação da linha com 3 zagueiros, de causar inveja à época do "ônibus" de José Mourinho, pela solidez defensiva que proporcionou ao time na última temporada. Não à toa, muitos são os times ingleses que têm copiado a estratégia, inclusive o Manchester City, de Pep Guardiola. É importante ter variações na tática de jogar e, nesse sentido, é benéfica a variação percebida no jogo contra o Tottenham, onde o consolidado 3-4-3 deu lugar a um 3-5-2. A questão que fica no ar é saber se a mudança foi uma adaptação a uma necessidade de momento ou se será algo a ser considerado mesmo quando todo o elenco estiver à disposição.

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Os pontos relevantes que podem ser destacados desse jogo foram, em primeiro lugar, a apresentação perfeita de Marcos Alonso, autor dos dois gols, a estreia de Bakayoko, a boa participação do sistema defensivo como um todo e, sem dúvida, o resultado. A participação do francês, que fez sua estreia com a camisa do Chelsea, foi longe de ser o que se espera dele, mas diante dos rumores de que só estaria apto para jogar a partir de setembro, sua rápida recuperação dá esperança aos torcedores de que, em breve, estará no melhor de sua forma física. O segundo ponto que merece realce é a zaga que, não fosse o gol contra de Batshuayi, teria passado sem ser vazada, além da boa performance individual de Rüdiger, Christensen, Azpilicueta e David Luiz. Por fim, a vitória contra um rival da cidade e que tem uma equipe que vai brigar na parte de cima da tabela confere confiança a todos em Stamford Bridge e permite que a diretoria tenha tranquilidade para trabalhar na chegada de reforços. 


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