Principais chegadas e saídas no mercado do Chelsea


Chegou ao fim o Deadline Day, famigerado último dia do mercado de transferências e derradeira oportunidade para que alguns dos principais clubes do mundo reforcem seus elencos no início da temporada europeia. Essa janela de transferências é histórica, seja por ter visto um novo recorde de jogador mais caro do mundo (Neymar para o PSG, por 222 milhões), seja pelo valor absurdo que alguns negócios foram concretizados (Kyle Walker para o Manchester City, por £50 milhões, Paulinho para o Barcelona, por 40 milhões, entre outros). Mas, como sempre, o objetivo desta coluna é falar sobre o Chelsea, especificamente sobre os jogadores que chegaram e sobre alguns que saíram.

Chegadas:
  • Álvaro Morata: Principal contratação do Chelsea na janela, chegou para ser uma solução de longo prazo no ataque do blues, após a liberação de Diego Costa para seguir seu caminho em outro clube. O espanhol de 24 anos assinou contrato de 5 temporadas, com o negócio girando em torno de £58 milhões - mais adicionais.
  • Tiemoué Bakayoko: Parte fundamental do elenco do Monaco sensação da Europa na temporada 2016/17, o francês de 22 anos chegou ao Chelsea por aproximadamente £39 milhões e algumas dúvidas tanto sobre sua condição física, quanto sobre se conseguirá ser bem sucedido na Inglaterra. Em relação ao primeiro ponto, o jogador já está recuperado da cirurgia no joelho, tendo inclusive já estreado na Premier League; quanto ao sucesso, só o tempo dirá, mas as projeções de futuro são boas.
  • Antonio Rüdiger: O jovem defensor alemão de 24 anos foi contratado junto à Roma, em uma transação na casa de £29 milhões mais adicionais. Apesar de já ter estreado e iniciar a temporada como titular, a necessidade de sua contratação é questionável, uma vez que o Chelsea possuía boas opções para a zaga, como Nathan Aké e Kurt Zouma, que perderam espaço e saíram, o primeiro em definitivo e o segundo por empréstimo. Seja como for, Rüdiger já começa a se provar valoroso e uma boa aquisição.
    Rudiger já estreou e está sendo titular enquanto Cahill cumpre suspensão. (FOTO: Evening Standard)
  • Willy Caballero: Contratado para ser o reserva imediato de Thibaut Courtois, o arqueiro argentino de 35 anos chega de graça compor o elenco, após a saída de Asmir Begovic.
  • Davide Zappacosta*: Italiano, 25 anos, contratado junto ao Torino por algo em torno de £21 milhões. Foi uma daquelas contratações que, não tendo sido especulada em momento algum da janela, surpreendeu a todos. As informações que se têm sobre o jogador são poucas, mas os rumores dos que acompanham o futebol italiano atestam sua qualidade e versatilidade. Na temporada passada, foram 29 jogos, 1 gol, 5 assistências, 2.333 minutos em campo, 1 cartão amarelo e nenhum vermelho.
  • Danny Drinkwater*: A novela teve desfecho positivo para o Chelsea. O meio campista inglês de 27 anos assina contrato de 5 anos e chega para suprir um posição extremamente carente do elenco, não pela qualidade, mas sim pela quantidade. Com apenas Fàbregas, Bakayoko e Kanté, Drinkwater agrega experiência e chega para ser uma interessante opção de meio campo para o Chelsea. O valor gira em torno de £35 milhões.
Drinkwater e Zappacosta, respectivamente, foram as duas contratações do Chelsea no Deadline. (FOTO: The Sun)
* Contratados no deadline day.
Saídas: Apenas as principais saídas, na visão do autor, serão abordadas.
  • John Terry: O eterno capitão, líder e lenda do clube se transferiu para o Aston Villa, que joga a segunda divisão. Mesmo tendo propostas de diversos clubes da elite do futebol inglês, o objetivo de John era de não ter de enfrentar seu time do coração.
  • Nemanja Matic: O sérvio, formado na base do Chelsea, negociado em 2011 com o Benfica na transação que trouxe David Luiz para o blues e recontratado em 2014, transferiu-se para o Manchester United por cerca de £40 milhões. Em que pese a chegada de Bakayoko, Conte deixou claro que a decisão de vender Matic foi do clube, não sua, e que isso o deixou um tanto desconfortável, uma vez que ele foi figura fundamental na conquista da Premier League 2016/17.
  • Juan Cuadrado: O colombiano dificilmente deixará saudades. Contratado em janeiro de 2015, após boa Copa do Mundo de 2014, nunca conseguiu se firmar no elenco campeão daquela temporada. Mourinho, então treinador, chegou a vender André Schürrle para abrir espaço para Cuadrado. O jogador foi emprestado à Juventus na temporada seguinte, tendo se destacado e alimentando alguma esperança de que poderia ser aproveitado na campanha seguinte, sobretudo após a contratação de Conte como técnico. Isso não se concretizou, o italiano o emprestou novamente à "Vecchia Signora" e, após novo sucesso, a transferência se tornou definitiva, na casa das £17 milhões.
  • Asmir Begovic: Excelente goleiro, com capacidade para ser titular em diversas equipes da Premier League e do mundo. Não fosse um certo Thibaut Courtois, talvez tivesse mais chances e oportunidades nos azuis de Londres. O bósnio segue o caminho de Aké e ruma para o Bournemouth, por aproximadamente £10 milhões. 
    Chelsea lucrou com a saída de Begovic, tendo em vista que Caballero chegou de graça. (FOTO: 90Min)
  • Nathaniel Chalobah: Talvez a maior esperança do torcedor do Chelsea em relação à base. Chalobah estava no clube há mais de 10 anos, foi figura presente em todas as seleções de base da Inglaterra e começa a figurar também na principal, teve passagens muito boas por Watford e Napoli e, finalmente, teve a chance de fazer uma temporada completa pelo Chelsea. Entretanto, as oportunidades foram muito limitadas, o que o fez buscar uma transferência, dessa vez em definitivo, por £5 milhões, voltando para os Hornets. Há cláusula de recompra com preço fixado.
  • Kurt Zouma (Stoke City), Ruben Loftus-Cheek (Crystal Palace), Tammy Abraham (Swansea City), Ola Aina e Fikayo Tomori (Hull City), Marco van Ginkel (PSV Eindhoven), Lewis Baker (Middlesbrough), Izzy Brown (Brighton) e Jeremie Boga (Birmingham City): À exceção de Zouma e de van Ginkel, todos os demais foram formados na base do blues e buscam minutos em campo para continuar seu desenvolvimento. De olho no futuro, o Chelsea empresta seus jovens talentos, na esperança de que um dia retornem prontos para brigar por espaço.
Loftus-Cheek, Chalobah e Zouma, respectivamente, foram negociados pelo Chelsea. (MONTAGEM: Daily Express)

  • Bertrand Traoré: Cria da base, o jovem de Burkina Faso teve um bom começo no Chelsea, na temporada 2015/16, apesar do desempenho pífio da equipe. Foram 16 jogos, 4 gols e um empréstimo ao fim da campanha para o Ajax, para ganhar experiência. O bom desempenho no campeonato holandês e na UEFA Europa League culminaram na venda do jogador ao Lyon, por £8.8 milhões.
  • Nathan Aké: Uma das boas promessas da base, o holandês estava emprestado ao Bournemouth para a temporada 2016/17, foi chamado por Conte em janeiro para compor o elenco e, depois de poucas oportunidades, transferiu-se em definitivo para seu ex-clube, por £20 milhões. Mais uma prova de que a transição da base para o elenco profissional, no Chelsea, é tudo menos certa e tranquila.
O caso mais curioso da janela, sem dúvidas, foi o de Diego Costa. Ao fim da temporada 2016/17, poucos acreditavam que o hispano-brasileiro fosse continuar em Londres, incluindo ele mesmo e o técnico Antonio Conte. Diversas foram as especulações envolvendo seu nome ao longo desses 2 últimos meses. O que ninguém esperava, no entanto, foi o desfecho que a história teve: o artilheiro não se transferiu e foi inscrito no elenco que disputa a Premier League. No momento, não é possível saber como será o reencontro e a relação, daqui em diante, do atacante com Conte, tampouco seu aproveitamento nesta campanha. Sua qualidade técnica é inegável, mas muitas coisas foram ditas, de parte a parte, e elas precisam ser resolvidas com uma franca conversa entre ambos.
Diego Costa não acertou sua saída para o Atleti e permaneceu no Chelsea por pelo menos até janeiro. (FOTO: Standard)
Conclusão: Esta janela foi, possivelmente, a mais difícil para o Chelsea. Além de uma ineficiência que tem se tornado corriqueira de Marina Granovskaia e de Michael Emenalo, diversos foram os nomes especulados, muitos tratados como "negócio fechado" que não vieram e, no entanto, o que se viu foram saídas em profusão e bem menos chegadas. O blues parece não saber se quer se tornar um time que revela e aproveita seus jogadores feitos em casa, ou se continua como um clube que contrata grandes nomes, como tem sido característico até então. Uma coisa é certa: é preciso esperar os desafios do calendário e das competições para saber se o elenco dará conta das aspirações do Chelsea na temporada 2017/18. Na visão deste autor, apesar dos pesares, o Chelsea conseguiu se reforçar onde mais precisava e Antonio Conte tem nas mãos opções interessantes para defender o título da Premier League e lutar pelo da Champions League, apesar de não entrar como favorito neste torneio.

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