O que está acontecendo, Conte?


Por Allan Pedro Bastos

Antonio Conte não parece o mesmo da temporada passada. O Chelsea campeão de 2016/17 era cirúrgico, letal, ofensivo, mas sem jamais descuidar da marcação. O equilibrado esquema 3-4-3 fez tanto estrago nos adversários que muitos passaram a utiliza-lo, como forma de tentar parar a sensação do campeonato. Esse quadro, infelizmente, está bem longe da realidade atual dos Azuis de Londres. O que se vê nesta campanha é um treinador que parece perdido nas opções que têm e que vem, reiteradamente, tomando decisões, no mínimo, contestáveis, para não dizer erradas. Vamos aos pontos.
  • Saída de Matic e Diego Costa
O Chelsea teve 2 perdas enormes na janela de transferências de verão: Matic foi para o Manchester United e Diego Costa, para o Atletico de Madrid. Se Conte reclamou muito da venda do volante para um rival direto, foi ele mesmo quem pediu a saída do atacante, alegando que ele tumultuaria o vestiário. A direção do Chelsea buscou peças de reposição e apostou em jogadores jovens e que ainda precisavam provar seu valor: Bakayoko havia feito apenas uma boa temporada pelo Monaco, enquanto Morata era a eterna promessa do Real Madrid.
(Foto: twitter oficial do Atlético de Madrid)

A verdade é que, após quase 6 meses, o sérvio e o hispano-brasileiro ainda deixam saudades na torcida blue. Bakayoko não consegue prover a solidez defensiva de Matic, ao mesmo tempo em que quase não contribui para a criação ofensiva da equipe. Mesmo diante desse cenário, o técnico não parece disposto a abrir mão do francês, tendo optado por substituir Fàbregas para a entrada de Drinkwater no clássico desta quarta-feira (3), contra o Arsenal.

O caso de Morata é um tanto mais curioso. Se, por um lado, o espanhol já tem 12 gols em 27 partidas pelo Chelsea (média de 0,44 gol por jogo), por outro, o que tem chamado a atenção é justamente a dificuldade que ele tem em marcar com os pés. O número de chances desperdiçadas pelo centro-avante vem crescendo e preocupando a torcida. No dérbi de hoje, foram 2 oportunidades gritantes, que teriam bastado para que o time saísse com a vitória. Se já mostrou que pode decidir, como contra o Manchester United, está na hora de voltar a fazê-lo.
  • Adoção do 3-5-2
A mudança de esquema constante também é outro ponto de atenção. Willian e Pedro começaram a temporada de forma discreta, ao passo que Fàbregas pediu passagem e buscou seu espaço no time titular. Num esforço para equilibrar o meio espanhol e capacidade de marcação no meio campo, a solução encontrada por Conte foi sacar o winger pela direita. O problema é que isso gera uma sobrecarga para Hazard, que fica com grande parte da responsabilidade de criar - e resolver - as jogadas. Na partida de hoje, absolutamente nada justifica a opção do treinador de tirar Cesc e Eden, a não ser uma possível priorização da Copa da Inglaterra.
(FOTO: Chelseanews24)
A única razão possível para defender a tática é o fato de termos vencido jogos importantes. Foi assim contra Tottenham, Atlético de Madrid e Manchester United. Fora isso, nenhuma performance de destaque ou algo de especial ou relevante que possa ser exaltado.

Seja como for, a corrida pelo título inglês já está praticamente definida, sobrando as copas domésticas e a Champions League como únicas chances de o Chelsea levantar algum caneco neste ano de 2018. Antonio Conte parece confiar mais na sorte esta campanha do que nas escolhas certeiras que sempre o caracterizaram. A nós, torcedores, só nos resta torcer que o acaso (ou uma mudança na atitude do técnico) nos leve a uma taça ao final desta temporada.

Este texto reflete a opinião do autor, não sendo, necessariamente, a posição deste site sobre o tema.

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