A indefinição que fará o Chelsea repetir os mesmos erros


Por Allan Pedro Bastos
O que tinha tudo para ser um casamento duradouro tende a não passar, agora, de apenas uma paixão passageira. Quando Antonio Conte chegou ao Chelsea, a expectativa em torno do badalado treinador da seleção italiana era muito alta. Os Blues vinham de uma campanha pós-título pífia, que culminou na saída de ninguém menos que José Mourinho e com Guus Hiddink dirigindo o time interinamente, mais uma vez. Ainda assim, o italiano levou certo tempo até encaixar a equipe no 3-4-3, esquema que provocou uma verdadeira revolução no futebol da Inglaterra. Foram 13 vitórias consecutivas, igualando o recorde vigente na competição até então, e o começo de uma idolatria que fazia o torcedor desdenhar do português tricampeão.

A primeira temporada de Conte foi marcada pelo título da Premier League, mas também por um desentendimento com Diego Costa, na janela de transferências de inverno, que quase pôs a campanha por água abaixo. Além disso, Antonio criticou em algumas oportunidades a política de contratações do Chelsea e reclamou por não receber os jogadores que desejava, fatos que foram ficando cada vez mais constantes e intensos ao longo da temporada 2017/18. O treinador nunca escondeu a insatisfação com a venda de Matic aos Red Devils ou a não aquisição de Alex Sandro, seu sonho de consumo para a ala esquerda.

A segunda temporada já dava sinais de que seria conturbada desde o primeiro jogo, quando os campeões foram derrotados pelo modesto Burnley, em Stamford Bridge, por 3 a 2. As principais contratações feitas pela diretoria, nomeadamente Álvaro Morata e Tiemoué Bakayoko, oscilaram muito e não deram a resposta técnica que deles se esperava. Conte tentou reinventar sua equipe, apostando no 3-5-2, sobretudo contra adversários considerados mais fortes, mas isso não bastou para que o time terminasse na zona de classificação para a Champions League. Problemas de relacionamento novamente rondaram o vestiário, tendo David Luiz como foco a maior parte do tempo, mas que também foram expostos por Willian, ao esconder o treinador numa foto no Instagram após a conquista da Copa da Inglaterra, sobre o Manchester United, que salvou a temporada da equipe e do técnico.

Neste momento, todos os veículos de comunicação dão como certa a saída de Antonio Conte e de sua comissão técnica do Chelsea, mas as coisas não parecem tão claras assim. Primeiro, porque o italiano teve seu contrato renovado em agosto/2017, o que implicaria no pagamento de seus salários integralmente ao longo de 2018/19. Segundo, porque a própria diretoria não sabe em que direção seguir. O nome de Maurizio Sarri ganhou força e chegou a ser praticamente confirmado, mas os blues desistiram de pagar a multa contratual imposta pelo Napoli e o negócio esfriou. Luis Enrique, ex-Barcelona, é cotado atualmente, mas é improvável que se tenha qualquer definição antes da Copa do Mundo. Seja como for, quanto mais se prolongar a tomada de decisão, mais o Chelsea tende a repetir seus próprios erros.

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