O 4-3-3 do Chelsea: O que se pode perceber até agora


Por Allan Pedro Bastos

Com apenas duas partidas disputadas até agora na campanha 18/19 da Premier League, ainda é cedo para fazer análises aprofundadas sobre o estilo de jogo que vem sendo implementado por Maurizio Sarri. Entretanto, algumas características gerais daquilo que será o padrão tático da equipe já podem ser percebidas e dão indícios animadores de que uma nova era se inicia, de futebol ofensivo, aliando posse de bola e objetividade. Vamos ao que já se pode depreender do Sarriball.
  • Necessidade de readaptação à linha com quatro defensores
Uma das principais diferenças do time de Sarri para o de Antonio Conte é a volta da linha com jogadores de defesa. Apesar de as peças serem basicamente as mesmas, Azpilicueta deixou de ser zagueiro pela direita para voltar à lateral, sua posição de origem, enquanto Marcos Alonso é o lateral pela esquerda, não mais existindo a função de ala. Ainda é cedo para cravar quem formará a dupla de zaga titular, mas apostaria na juventude, técnica e velocidade de Christensen e Rüdiger. Ainda assim, creio que David Luiz terá mais importância do que na temporada passada, e Cahill tende a ser a quarta opção.
  • O papel do meio campo central, Jorginho, para o sucesso do esquema
Principal contratação da janela de transferências, Jorginho é o homem de confiança de Sarri para que o treinador tenha sucesso na implementação da sua forma de jogar. Nos jogos de pré-temporada e nos dois disputados pela Premier League até o momento, é ele quem joga mais próximo aos zagueiros, responsável pelo início de todas as jogadas, e dita o ritmo do jogo, alternando entre passes curtos e rápidos e passes longos e em profundidade, como o que encontrou Alonso livre contra o Arsenal para cruzar para Pedro abrir o placar. Seu substituto natural, imagina-se, é Fàbregas, que tende a ver seu tempo em campo reduzido.
  • Kanté: a reinvenção do francês numa nova função
Talvez o jogador mais importante do Chelsea nas duas últimas temporadas, Kanté se notabilizou por ser um dos melhores primeiros volantes do mundo. Contudo, o francês está passando por um período de mudança tanto em seu posicionamento quanto em suas funções táticas. Até agora, Kanté tem ocupado a faixa direita do meio campo, com liberdade para atacar e chegar mais à área, o que resultou, inclusive, no primeiro gol dos blues na temporada.
  • O papel de alguns jogadores: Barkley, Pedro, Willian, Cahill, Morata
Barkley: O inglês parece bem condicionado fisicamente e começou como titular contra Huddersfield e Arsenal. Algumas boas jogadas, muita voluntariedade, mas pouco resultado até o momento. Terá de mostrar mais se quiser se manter entre os onze iniciais, sobretudo com a concorrência de Kovacic.
Pedro: Começou a temporada voando e, apesar das críticas de boa parte da torcida, o espanhol tem sido, consistentemente, um jogador importante para a equipe. Tende a se revezar com Willian no posto de winger pela direita.
Willian: Outro contestado por muitos, mas que sempre entrega o que se espera. Foi especulado no Barcelona e no Manchester United na janela, mas sua identificação com o clube e a saída de Antonio Conte pesaram para que optasse por ficar. Será importante.
Cahill: Tende a ser o mais impactado negativamente com as mudanças. A braçadeira de capitão já parece distante, assim como uma vaga na dupla de zaga. O inglês terá de provar, novamente, seu valor.
Drinkwater: A importância do meio campo resume-se, nesse momento, a preencher a quota mínima de jogadores ingleses no elenco. Não parece ser reserva imediato de nenhum dos três homens de meio campo e só deve ter espaço nas Copas.
Moses: O conto de fadas do nigeriano parece perto do fim. Se Antonio Conte foi responsável por revitalizar sua carreira, transformando-o numa peça fundamental em seu esquema, é muito pouco provável que atue com regularidade nesta campanha, agora em sua posição de origem, como ponta. A ver se consegue, novamente, se reinventar.
Morata: É com ele que vamos no comando de ataque até o final da temporada. Só resta torcer para que demonstre o potencial que fez o Chelsea investir tanto dinheiro em sua contratação. Ainda assim, terá Giroud como sombra. O gol contra o Arsenal tende a dar confiança.

Este texto reflete a opinião do autor, não sendo, necessariamente, a posição deste site sobre o tema.

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