A vida de um treinador de futebol não é fácil



Por Allan Bastos
Ser técnico de uma grande equipe é um daqueles empregos que, à primeira vista, parece irresistível: trabalhar com jogadores de talento e qualidade inegáveis, disputar os maiores campeonatos do mundo, ganhar salários que são impensáveis para mais de 99% da população mundial, entre outros fatores interessantes. Contudo, nem só de coisas boas vive um treinador de alto nível, já que, muitas vezes, seus comandados são apenas crianças grandes, cheias de ego e que sentem melhores do que qualquer um e insubstituíveis. Por esse motivo, não raro vemos notícias que reportam o clima do vestiário, quando a relação comandante-comandados começa a azedar.

O Chelsea tem sofrido constantemente com esse tipo de problemas. Scolari, Mourinho e Conte, num período de pouco mais de 10 anos, foram demitidos por terem enfrentado dificuldades em criar (Scolari) ou manter (Mourinho e Conte) o bom relacionamento com seus jogadores. Apesar de ter apenas começado, a Era Maurizio Sarri já começa a conviver com especulações de que jogadores estariam insatisfeitos com a falta de oportunidades e que, por isso, estariam buscando uma transferência. Essa semana, Christensen e Moses foram os nomes que circularam na imprensa inglesa.

O começo de um novo trabalho impõe desafios que todo técnico precisa lidar, e com o italiano não é diferente. Além disso, ele está implementando uma nova filosofia de jogo, bem diferente do estilo que os Blues vinham tendo, até então. Nesse sentido, é natural que busque alterar o mínimo possível o time que considera titular, para que, quando as mudanças se fizerem necessárias, os que entrem sintam sejam ajudados pelos que já estão mais adaptados.

Acerca dos rumores sobre saídas, o que verdadeiramente preocupa até o momento é o do zagueiro dinamarquês. É sabido por todos que ele é o futuro do Chelsea, mas David Luiz parece ter recuperado a boa forma e o bom futebol, e tem se mostrado, novamente, de grande valia. Ao invés de buscar sair, o jovem Christensen deveria aprender e absorver o máximo que puder com o brasileiro. Já quanto aos outros especulados - além de Moses, Cahill e Drinkwater também já foram mencionados - suas ausências seriam sentidas muito mais em termos estratégicos (por serem homegrown players) do em termos técnicos, em que pese toda a gratidão que, pessoalmente, tenho por Gary e por considerar que ele pode e deve continuar fazendo parte do elenco, mas na condição de reserva que se encontra hoje.

Este texto reflete a opinião do autor, não sendo, necessariamente, a posição deste site sobre o tema.

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