O Chelsea não pode ser refém de um esquema tático


Por Allan Pedro Bastos

A invencibilidade, enfim, foi perdida. Todos sabíamos que, mais dia, menos dia, isto aconteceria, algo normal no contexto de um campeonato tão disputado como o inglês. O problema é a forma como se deu a derrota para o Tottenham, que sacramentou o primeiro revés em jogo oficial de Maurizio Sarri no comando do Chelsea e, além disso, a queda para a quarta colocação na Premier League. Vamos analisar como ela se deu e que lições os Blues e seu comandante devem tirar.

Claramente, Mauricio Pochettino estudou a forma de jogar do 4-3-3 de seu adversário, promoveu uma verdadeira blitz e, com isso, chegou aos 2 a 0 em pouco mais de 15 minutos. Os Azuis de Londres pareciam um bando em campo, sobretudo do meio para trás, e o gol de Harry Kane, segundo dos Spurs, deixou isso claro. O atacante inglês recebeu na intermediária e, sem ser incomodado por absolutamente ninguém, carregou a bola, bateu de longe e até de forma despretensiosa e contou com a colaboração de David Luiz e Kepa.

Acumulamos erros individuais e que merecem ser apontados. O meio campista Jorginho, até então coração do meio campo e o cara que dita o ritmo do jogo, esteve absolutamente irreconhecível, errando passes de maneira incomum e sem conseguir fazer o time jogar. David Luiz voltou a parecer aquele jogador peladeiro que o torcedor se acostumou a ver, displicente, deixando espaços atrás e sendo driblado de maneira vexatória por Son, no terceiro gol. Kepa falhou no segundo gol, mas fez defesas milagrosas que evitaram o que seria uma derrota vexatória. Sobre Morata, melhor não comentar, seria chover no molhado.

A grande questão é: estamos reféns de uma forma de jogar. Contra times de menor expressão ou que aceitem que o Chelsea tenha o controle do jogo, que buscam apenas perder de pouco ou no máximo empatar, tem funcionado sem maiores complicações. O problema é quando o oponente não oferece essa liberdade, como muito bem fez o Tottenham hoje, e não somos capazes de corrigir no transcurso da partida, como aconteceu hoje. Sarri não pode repetir o erro de Conte: abraçar um esquema tático e ficar sem variações para quando as coisas não saírem como o previsto.

Talvez fosse o momento de testar um novo sistema, o 4-2-1-3, com Kanté novamente na função de primeiro volante, com Kovacic a seu lado e Jorginho um pouco mais a frente e os três atacantes na frente, ou com Jorginho ao lado de Kanté e Barkley mais adiantado. Com isso, manteríamos o ítalo-brasileiro próximo ao início das jogadas e teríamos maior consistência defensiva, sobretudo nos jogos maiores.

Este texto reflete a opinião do autor, não sendo, necessariamente, a posição deste site sobre o tema.

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