O que esperar de Pulisic

Pulisic chega em Londres apenas na metade do ano.
Por Marco Túlio Loureiro Linhares
Anteriormente especulado no Arsenal e no Liverpool – com uma proposta recusada pelo atleta em 2016 – o Chelsea anunciou, logo na abertura da janela europeia de inverno, a contratação da jovem estrela do Borussia Dortmund e da seleção norte-americana, Christian Pulisic, pela quantia de R$277 milhões, que fez do jogador o futebolista norte-americano mais caro da história, com apenas 20 anos de idade. Pulisic, no entanto, apresenta-se ao elenco de Maurizio Sarri apenas em julho, no início da temporada 19/20, permanecendo em Dortmund até o final da presente temporada.
De fato, mediante uma análise fria da contratação, desembolsar R$277 milhões por um atleta tão jovem, que tem a seu favor muito mais um futuro promissor em lugar de realizações no futebol, pode parecer loucura; ainda mais se consideramos que Pulisic tinha apenas mais um ano e meio de contrato com o Dortmund, e a expectativa era de que o jogador se desligasse do clube alemão após o fim do contrato, podendo, inclusive, daqui um ano – na janela de inverno em 2020 – assinar um pré-contrato com qualquer outro clube. Assim, por que investir tão pesado em um jogador que ainda não entregou o equivalente ao investimento e que em um ano poderia assinar de graça? A resposta é simples: o Chelsea precisa se reforçar e, para isso, antecipar-se aos seus rivais num mercado extremamente competitivo e inflacionado.
Pulisic já possui experiência em jogar a Champions League pelo Borussia Dortmund. 
Veja bem, Pulisic pode ainda não ter apresentado um futebol equivalente às cifras investidas por Roman Abramovich, mas o atleta já deu várias demonstrações de onde pode chegar, e o Chelsea, inegavelmente, precisava de, pelo menos, mais uma opção de ataque. A carência de jogadores de lado de campo, com Willian apresentando um futebol irregular e Pedro sendo consideravelmente limitado, apenas reforça a necessidade da chegada de mais um reforço, em vista de diversificar as opções ofensivas do time, tanto técnica como numericamente, e aliviar, em partes, as responsabilidades de Hazard. Além disso, o fortalecimento do elenco azul é a principal cartada, aliada à classificação para a Liga dos Campeões de 19/20, em vista de segurar a super estrela belga em Londres, ao menos por mais uma temporada.
Pulisic, além de cair pelos lados do campo, como de costume no time alemão, pode atuar por dentro, por trás do centro-avante, do mesmo modo que já atuou pela seleção dos Estados Unidos. Chamou a atenção por ser um jogador talentoso e veloz, com grande habilidade nos duelos um contra um e qualidade nos passes de curta e média distância. Pelas características, pode formar uma ótima dupla com Hazard e, eventualmente, em algumas temporadas, vir a ser o grande substituto do belga no Chelsea.
Outro ponto relevante é que, se no Borussia Dortmund os números não são tão convincentes – em 115 jogos, 15 gols e 20 assistências – na seleção americana, na qual é protagonista, são 9 gols e 7 assistências em 23 partidas, desde sua estreia na equipe principal, em 2016. Além disso, Pulisic tem apenas 20 anos, e tem ainda muito a amadurecer e muito a desenvolver. Sob o comando Maurizio Sarri,  que anteriormente já transformou Mertens, um jogador que compartilha de algumas das qualidades de Pulisic, em um artilheiro nato, e atuando ao lado de Hazard, a tendência é de que o atleta amadureça e se desenvolva conforme o esperado, e que o retorno do investimento feito venha, integralmente, de médio a longo prazo.
É claro que o futuro do atleta depende, em grande parte, da forma como o Chelsea manejará o jovem talento. Em curto prazo, o clube já faz um investimento pensando na montagem do elenco para a próxima temporada, visando a montagem de um time competitivo e de qualidade tanto para competir domesticamente quanto, eventualmente, na Champions League.

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