O 9 do chefe

(Foto: divulgação)
Por Marco Túlio Loureiro Linhares
Desde a conturbada saída de Diego Costa, o Chelsea não contava com um homem gol cascudo, com credenciais internacionalmente comprovadas. O mau investimento em Morata e a contestável contratação de Giroud – que ilustra bem a recente mentalidade de mercado dos blues – aliada aos péssimos números ofensivos, sendo o Chelsea a equipe que menos marca gols no top 6 da Premier League, ressaltavam a imprescindibilidade na chegada de um reforço. E esse reforço chegou. Tamanha ineficiência do ataque, Abramovich se viu, por mais que conservadoramente, obrigado a abrir a carteira já na janela de inverno – com sérios riscos de uma nova não classificação para a Champions League caso não o fizesse. Por mais que Higuaín não seja o grande nome esperado pela torcida azul, a diretoria do Chelsea, nos moldes da negociação, saiu-se bem.
Conforme exposto pelo jornal português Record, a Juventus confirmou que a negociação de Higauín com o Chelsea “não gera qualquer efeito econômico no corrente ano financeiro”. Isso porque, com a chegada de Cristiano Ronaldo ao clube italiano, o atacante argentino fora emprestado, no início da temporada, ao Milan, por €18m. Ao se transferir, também por empréstimo, agora de meia temporada, ao Chelsea, e de acordo com o exposto pelo clube de Turim, podem-se aferir duas conclusões: ou o Chelsea paga a metade do valor do empréstimo firmado com o Milan – €9m – ou o novo empréstimo sai a custo zero. Além disso, ainda de acordo com o jornal português, caso, ao final da temporada 18/19 o Chelsea decida renovar o empréstimo, por mais uma temporada, paga a Juve os mesmos €18m acordados anteriormente com o Milan. Por outro lado, se decide ficar em definitivo com o jogador, paga o dobro, €36m. E, nesse contexto, a diretoria dos blues se saiu extremamente bem.
O Chelsea já não é mais aquela equipe de alguns anos atrás, que brigava entre as cabeças do futebol europeu, passando, por consequência, a não ser mais tão atrativo para outros “Schevchenkos”. Outro ponto relevante é o período da temporada em que a negociação é firmada, a janela de inverno, famosa por investimentos mais conservadores, e é nesse contexto que Higuaín é contratado. Por fim, num mercado extremamente inflacionado, o Chelsea contrata um centroavante com credenciais, mesmo que por empréstimo, por valores consideravelmente razoáveis, e que chega para resolver, pelo menos, problemas em curto prazo. Saindo-se bem, o argentino comprova a validade de um investimento mais robusto. Não agradando, os valores desembolsados pelo magnata russo não se converterão em nenhuma dor de cabeça.
Além disso, ao contratar de acordo com um pedido direto de Maurizio Sarri, Abramovich dá indícios de que compra o projeto do treinador italiano, e reforça a relação entre diretoria e comissão técnica, famosa por não ser tão estável assim no clube londrino. E na necessidade de um homem gol, Sarri vai buscar alguém em quem confia e que, sob seu comando, já foi muito bem sucedido. Higuaín, em 192 partidas pelos três clubes em que atuou na Itália, tem 117 bolas nas redes, sendo que, em sua melhor temporada – 15/16 – sob o comando de Sarri, foram 36 gols em 35 partidas pelo campeonato italiano. Para mais, somando os números entre La Liga, Série A e Champions League, foram 247 gols em 457 partidas, números que só comprovam a eficiência do argentino em competições de peso.
É evidente que Higuaín, com 31 anos, não está mais em sua melhor fase, o que, de forma alguma, deslegitima o bom investimento da diretoria do Chelsea, por todo o contexto da negociação exposto acima. Pelo Chelsea, já são dois gols, sendo ambos marcados na goleada contra o Huddersfield – partida essa que ilustra o quão bem o atacante pode render sob o comando de Sarri e ao lado de Hazard, e o quão superior tecnicamente a Morata e Giroud Higuaín é. Por mais que o Chelsea apresente seu pior futebol na temporada, refletido nos últimos resultados do time, a chegada de Higuaín pode ser vista como um fio de esperança pelo torcedor dos blues. Ao contrário do ideal, pela urgência na mudança de comportamento e de resultados do time, Higuaín não pode se dar ao luxo de passar pelo famoso período de adaptação, e uma resposta imediata do argentino pode significar muito, para ele e para o clube: a renovação de seu contrato, seja por empréstimo, seja em definitivo, e uma vaga na próxima UEFA Champions League.

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