Jorginho sofre pela ignorância de muitos

(Foto: divulgação)

Quando os resultados não vêm da maneira que o torcedor espera, a cobrança aumenta, a pressão se torna enorme e o desespero para encontrar culpados cresce proporcionalmente às 2 questões anteriores. Hoje, é Jorginho quem mais sofre com isso.

O grande problema do camisa 5 não é com ele. Passa longe de ser a falta de assistências e de gols. Muito menos de se questionar sua qualidade. Jorginho sofre com a ignorância de muitos por não conhecerem suas reais características e funções primárias dentro de campo. 

Em entrevista ao jornalista Renato Senise, da RedeTV, Jorginho foi perguntado sobre as críticas que vêm recebendo da torcida e da mídia inglesa sobre suas "más" atuações com a camisa do Chelsea, justificadas pela falta de gols e assistências.

"Sinceramente, não é a minha obrigação primária (fazer gols e dar assistências), e as pessoas que criticam tem todo direito de criticar e eu tenho direito de não concordar. Fazer gol não é minha obrigação. Estou tranquilo em ter zero assistência. Já deixei atacantes na frente do goleiro, mas não se concluiu em gol."

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Jorginho é o jogador da saída de bola. Não é o Fàbregas. O estilo de jogo do Sarri necessita que haja um primeiro volante que saiba perfeitamente comandar a saída de jogo e dar os primeiros passes em busca de uma jogada ofensiva. É ele quem dita o ritmo da evolução vertical do Chelsea dentro das partidas. Quando bem marcado, o ítalo-brasileiro não rende e, consequentemente, a equipe não consegue bons resultados. O camisa 5 torna-se vital para um bom desempenho.

É de total ignorância da mídia e dos torcedores exigirem de um jogador algo que claramente ele não entregará e que não é de sua função fazer. É inimaginável, por exemplo, querer que David Luiz faça gol de cabeça proveniente de bola parada todo final de semana. Não é a sua função principal, mas isso também não significa que abdicará de buscar e realizar tal função com eficácia. O volante ex-Napoli segue sendo o jogador que mais toca na bola na Premier League com 2.502 passes, 99 a mais que van Dijk, segundo colocado no quesito.

Este colunista que vos fala tem total consciência que existiram jogos em que Jorginho produziu abaixo da média e que deixou a desejar, mas não podemos criticá-lo por birra ou apenas porque precisamos usar algum jogador do elenco como bode expiatório para justificar maus resultados em sequência. É apenas a primeira temporada dele na Inglaterra e, como disse Rüdiger (que também foi contratado vindo da Itália), Jorginho precisará de tempo de adaptação, considerando que o futebol jogado na terra da Rainha é muito diferente do restante da Europa.

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