O perigo da inconstância

(Foto: divulgação)
Por Allan Pedro Bastos
Se tivesse de resumir a temporada do Chelsea em uma palavra, até o momento, ela seria inconstância. O início de Maurizio Sarri como treinador dos blues foi extremamente animador, com o time conquistando uma sequência de invencibilidade recorde e demonstrando um tipo de futebol que, até então, não estávamos acostumados a ver em Stamford Bridge. A tônica da equipe passou a ser a valorização da posse de bola, da troca de passes e do comando das ações ofensivas, um claro contraste à época pragmática, porém vitoriosa, que vivemos sob a batuta de Mourinho, Ancelotti e Conte.

As coisas começaram a desandar quando os outros times aprenderam a forma como os comandados por Sarri se comportavam em campo e passaram a marcar o principal mecanismo da engrenagem: Jorginho. O jogo do Chelsea passa pelos pés do meio campista ítalo-brasileiro, que depende da aproximação e da movimentação de seus companheiros para ditar o ritmo do jogo. Se Kanté se adaptou rapidamente à nova função e vem executando-a com a qualidade que lhe é peculiar, o mesmo não se pode dizer do terceiro homem de meio campo. Seja Kovacic, seja Barkley, os dois não conseguem dar a mesma dinâmica pelo lado esquerdo que o francês dá pelo lado direito. Some-se a isso a instabilidade vivida pelos laterais, a baixa criatividade demonstrada por Pedro e Willian, e as diversas falhas defensivas (sobretudo de David Luiz) e o resultado é um time que não consegue se impor, mesmo dominando a posse de bola, e que sofre para vencer seus jogos.

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A boa campanha na UEFA Europa League é o que há de se destacar como positivo até aqui. A competição é a última chance de título que resta neste 2018/19 e a melhor oportunidade de voltar à Champions League, já que a equipe tem deixado oportunidades escaparem a todo instante na Premier League. O tão cobiçado Top Four (uma das quatro primeiras posição do campeonato inglês, que classificam à principal competição do continente europeu) parece inatingível, mantida a inconstância que caminha junto ao time ao longo da temporada.

Não me sinto capaz de apontar uma solução para o Chelsea, nesse momento. Não acredito que uma nova troca de treinador seja a solução, ao mesmo tempo que tenho sérias dúvidas sobre se Sarri conseguirá entregar o tipo de futebol apresentado pelo seu Napoli com as peças que tem a disposição. A cada resultado negativo, o futuro do treinador fica mais incerto, e me arrisco a dizer que nem mesmo o título da Europa League garante o treinador para a próxima temperada. Sarri terá o apoio dos torcedores se tiver a coragem suficiente para promover o desenvolvimento das joias do clube, como Loftus-Cheek, Hudson-Odoi e outros que podem vir a integrar o elenco principal na próxima campanha. Mas, se mantiver o padrão que temos visto até aqui, de apostar nos “medalhões” em detrimento de quem vem pedindo passagem e está em momento melhor, a tendência é vermos o ciclo vicioso ter continuidade e passarmos a novamente especular quem treinará o Chelsea em 2019/20.

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