O caminho até a glória em Baku

Maurizio Sarri conquistou seu primeiro título como treinador profissional. (Foto: divulgação)
Por Allan Pedro Bastos
É CAMPEÃO! O grito que todo torcedor ama gritar foi ouvido alto e forte em Baku, capital do Azerbaijão, em Londres e por todos os cantos do mundo onde houvesse um torcedor do Chelsea. Os Azuis de Londres sagraram-se campeões da UEFA Europa League 2018/19, título que o clube já havia conquistado na temporada 2012/13. E o desfecho da campanha não poderia ter sido melhor: goleada em cima do maior rival, atuação de gala de um dos maiores jogadores do clube de todos os tempos e a coroação de Maurizio Sarri, que ganhou seu primeiro troféu de grande relevância. Vamos relembrar como foi o caminho dos Blues até a glória em Baku?
Fase De Grupo
Como era esperado, o Chelsea não teve qualquer dificuldade para se classificar em primeiro de seu grupo. O sorteiro nos reservou o grupo L e nos colocou ao lado de Bate Borisov (Belarus), MOL Vidi (Hungria) e PAOK (Grécia). Foram cinco vitórias e apenas um empate, contra o MOL Vidi. O ponto alto dessa fase foi, sem dúvidas, o hat-trick de Loftus-Cheek contra o Bate Borisov, no Stamford Bridge. Além disso, foram nesses jogos que a grande revelação do time teve suas primeiras grandes oportunidades sob a batuta de Sarri: apesar de ter ficado de fora dos dois primeiros confrontos, Hudson-Odoi entrou no decorrer das partidas contra o Bate e jogou os 90 minutos das duas últimas.


16-Avos e Oitvavas de final
A primeira fase de mata-mata pôs os Blues frente à frente com o Mälmo, da Suécia, e, novamente, não houve problemas para conquistar a classificação. No jogo de ida, vitória por 2 a 1 fora de casa; na volta, novo triunfo, dessa vez por 3 a 0, com direito a gol de Hudson-Odoi.
Nas oitavas, enfrentamos o primeiro adversário com um pouco mais de tradição na Europa, o Dinamo de Kiev. Entretanto, os comandados de Maurizio Sarri não tomaram conhecimento dos rivais em nenhum momento dos 180 minutos jogados e fizeram 2 goleadas, a primeira por 3 a 0 em Stamford Bridge, e a segunda por 5 a 0 na Ucrânia.


Quartas de Final e Semifinal
O sorteio das quartas de final nos opôs ao Slavia Praga, da República Tcheca, que viria a ser o oponente mais complicado que enfrentamos até esta altura da competição. O primeiro jogo foi disputada em Praga e o Chelsea conseguiu uma vitória magra, por 1 a 0. Na volta, o que se desenhava como uma goleada tomou contornos dramáticos: os Blues chegaram a abrir 4 a 1 no primeiro tempo, mas dois gols de Ševčík nos 10 primeiros minutos do segundo tempo deixaram os torcedores apreensivos. No entanto, a classificação às semifinais veio junto com o apito final, e a esperança só aumentou.
Eintracht Frankfurt. O time, sensação da Europa League, vinha fazendo ótima campanha na competição até então e tinha em seu elenco um jovem talento que vem despertando muitas especulações em Stamford Bridge. Tratava-se de Luka Jovic, atacante de 21 anos e um dos candidatos a artilheiro do torneio. As duas partidas foram tensas e terminaram empatadas por 1 a 1, com o sérvio marcando ambos os gols para o time alemão. Os resultados levaram à decisão para os pênaltis, o que deu a Kepa a oportunidade de se redimir da contenda criada na final da Carabao Cup, quando Sarri quis tirá-lo para colocar Caballero e o titular se recusou a sair, gerando um grande mal estar nos dias que seguiram à derrota. Dessa vez, o arqueiro espanhol defendeu 2 cobranças, salvou a pele do capitão Azpilicueta, que desperdiçou sua tentativa, e garantiu a vaga na grande final.
A Grande Final (?)
A partida decisiva começou a ser disputada muito antes do apito inicial. Isso porque o local escolhido ao início da competição foi Baku, capital do Azerbaijão. Até aí, nada de erro, não fosse o fato de nossos adversários, o Arsenal, terem como um de seus principais jogadores o armênio Henrikh Mkhitaryan, e a Armênia e o Azerbaijão terem problemas diplomáticos históricos tão sérios que impedem cidadãos armênios de visitar o país vizinho e vice versa. Apesar de a UEFA ter dado todas as garantias de que a viagem do jogador ao local do jogo era seguro, os Gunners e ele próprio preferiram não arriscar, o que sem dúvidas deixou uma marca negativa na competição. Além disso, muitos torcedores foram obrigados a devolver os ingressos que compraram, devido à baixa disponibilidade de vôos para Baku e mesmo a distância em relação a Londres.
Acerca do jogo, em si, o que se viu foi uma atuação de gala no que, provavelmente, foi o último de Eden Hazard com a camisa do Chelsea. Em que pese um primeiro tempo muito estudado de parte a parte, o primeiro gol do jogo foi marcado logo no começo do segundo tempo, com Giroud, o artilheiro isolado da competição, cabeçando com perfeição um cruzamento na medida de Emerson Palmieri. Pouco mais de 10 minutos depois, o (ainda) nosso belga de ouro recebeu pela esquerda e rolou sob medida para Pedro pegar de primeira, sem chances para Petr Cech, que fazia sua despedida dos gramados. O terceiro gol foi dele, o dono da noite, convertendo com maestria o pênalti sofrido por Olivier Giroud. A essa altura, o título parecia assegurado, mas o gol de Iwobi, 4 minutos depois, deu uma animada no ânimo do Arsenal. Contudo, a alegria se transformou em tristeza apenas 3 minutos depois, culpa novamente de Hazard, que decretou o resultado final transformando o cruzamento de Giroud no que seria o último gol da partida – e, lamentavelmente, também o último dele com a camisa azul.
Vitória sacramentada, caneco levantado. Coube a Azpilicueta a honra de erguê-lo, que foi dividida com Cahill, outro jogador que encerra seu ciclo e se despede do clube. O título coroou o bom trabalho de Sarri, que, mesmo com todas as críticas – e muitas delas desmedidas, descabidas e mesmo desproporcionais – , tem resultados para se orgulhar.
E agora?
Se essa temporada já foi difícil, podemos aguardar ainda mais complicações para a próxima. Em primeiro lugar, porque toda saída de um ídolo gera um vácuo que nem sempre é preenchido com a velocidade que esperamos. Dessa vez, parece que o Chelsea está ainda menos preparado do que quando da saída de Drogba, Lampard e Terry. Hazard é a grande referência técnica dessa equipe, que terá de se reinventar.
Em segundo lugar, porque parece que teremos, novamente, uma troca no comando técnico. O tratamento dispensado a Sarri por parte da torcida foi vexatório, com o canto de “F*ck Sarri Ball” (Dane-se o Sarri Ball, em tradução suavizada e livre) tendo sido entoado em algumas partidas dentro de Stamford Bridge. É claro que todos podem e devem ser criticados, mas desde que isso seja nos limites do respeito e da civilidade. Além disso, o italiano parece estar de malas prontas para a Juventus, de ninguém menos que Cristiano Ronaldo e que tem a ambição de voltar a conquistar a Liga dos Campeões.
A grande pergunta aqui é quem virá para substituí-lo. O nome preferido da torcida é o do ídolo Frank Lampard, que teve sua primeira temporada como técnico profissional à frente do Derby County e quase levou os Rams ao acesso à Premier League. Há uma expectativa grande em relação à essa possibilidade, uma vez que a proibição de contratar pelas duas próximas janelas de transferência fará com que precisemos recorrer à base para nos reforçar, e ninguém melhor que Super Frank e seu fiel escudeiro, Jody Morris, para o trabalho.
Sem embargo, a revolução no sistema de jogo promovida por Sarri ainda está incompleta, e seria excelente contar com o italiano por mais uma ou duas temporadas para finalizá-la, o que também permitiria a Lampard adquirir mais experiência e assumir os Blues mais preparado.

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