Das mentiras que os resultados contam

Abraham acumula má sorte em chances desperdiçadas nos dois primeiros jogos da temporada. (Foto: Metro)
Dois jogos oficiais na temporada. Duas derrotas, seis gols sofridos e apenas dois marcados. Sob essa ótica, o início de temporada do Chelsea parece péssimo e alarmante para seu torcedor, mas a realidade não é tão obscura quanto parece. É claro que perder para dois grande rivais como Manchester United e Liverpool é sempre complicado, mas não se pode dizer que são resultados inesperados. O momento é de reconstrução em Stamford Bridge e isso nunca esteve em dúvida.

Quis o destino que a estreia de Frank Lampard no comando técnico dos blues fosse fora de casa e em Old Trafford. Os 4 a 0 sofridos no domingo não refletem, definitivamente, o que foi o jogo, mas assim é o futebol. Os diabos vermelhos foram cirúrgicos nas chances que tiveram, aproveitaram fragilidades defensivas e mataram a partida a seu favor. Nesta quarta-feira, contra o Liverpool, nova boa partida do Chelsea, que empatou com os atuais campeões da Champions League no tempo regulamentar e na prorrogação, e foi derrotado na decisão da Supercopa da UEFA nos pênaltis.

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A evolução que a equipe demonstrou foi perceptível a olhos nus. Mesmo já tendo demonstrado virtudes contra o United, como bom volume de jogo e rápidas transições do meio para o ataque, treinador e time melhoraram muito defensivamente. Zouma e Christensen foram seguros e Emerson compunha bem pela esquerda, apesar de ter sofrido para marcar Salah. De negativo, as bolas alçadas na área, que por vezes encontravam jogadores do Liverpool, e Azpilicueta, que parece cada vez mais inseguro.

O placar do último domingo não retratou de fato o que foi a partida. (Foto: divulgação)
A questão central é: fizemos dois jogos dignos no começo da temporada contra rivais diretos e mostramos que daremos trabalho. Não podemos esquecer que ainda temos nomes de peso e que provavelmente figurarão entre os titulares voltando de lesão: Rüdiger, Loftus-Cheek, Hudson-Odoi e Willian são os principais exemplos. Reece James, outra joia da base sobre quem recaem muitas expectativas, é mais um que buscará seu espaço.

Não podemos, no meio desse processo, colocar a carroça na frente dos bois e esquecer quais são os objetivos imediatos. Títulos? Não, definitivamente. A hora é de criar uma geração com o selo Made in Chelsea, com mentalidade vencedora e capaz de conduzir o clube a anos duradouros de glória. Tammy Abraham, Mason Mount e mesmo Hudson-Odoi não são jogadores prontos, mas têm, sem dúvida, o potencial para se tornarem grandes um dia. Cabe a toda a comissão técnica, diretoria e torcida promoverem o ambiente propício para que isso se realize. Isso não significa que não haverá críticas, muito pelo contrário, pois elas são essenciais para a evolução de qualquer trabalho, mas quer dizer, sim, que elas devem ter como norte o crescimento e o aperfeiçoamento coletivos. Estamos no caminho certo.


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