James e Hudson-Odoi: o futuro é agora

James (esquerda) e Hudson-Odoi (direita) são dois potenciais titulares do Chelsea. (Foto: divulgação)

Demorou, mas ela chegou. Finalmente, o Chelsea conquistou sua primeira vitória em Stamford Bridge sob o comando de Frank Lampard. É verdade que o adversário era o fraco Grimsby, da quarta divisão, mas, a julgar pela zebra que pegou o Tottenham desprevenido e o eliminou da Carabao Cup na noite anterior, era necessário entrar atento desde o início e não dar chances ao adversário. O resultado de 7 a 1 fez justiça ao volume de jogo imposto pelo clube de Londres, mas o mais importante aqui não é o placar, mas sim as circunstâncias sob as quais ele foi construído. Vamos a elas. 

Seguindo a filosofia de utilizar os principais talentos da base, Lampard enviou ao campo (e também ao banco de reservas) talvez o maior arsenal de jogadores abaixo de 20 anos da história do clube. Marc Guehi (19), Reece James (19) e Billy Gilmour (18) fizeram suas estreias como titular, mas também tivemos a volta de Callum Hudson-Odoi (18), após ter se recuperado totalmente da lesão no tendão de aquiles e ter renovado seu contrato por mais 5 temporadas, válido agora até 2024. Dentre os listados acima, a expectativa de grande parte da torcida é que James e CHO firmem-se entre os titulares ao longo da campanha 2019/20, ao passo que Guehi e Gilmour ainda são vistos com enorme potencial, mas que necessitam dar alguns passos antes de estarem em condição de brigar por titularidade.

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Apesar do baixo nível técnico do Grimsby e da diferença na qualidade entre as duas equipes, o jogo serviu para proporcionar um bom teste aos comandados de Lampard, sobretudo aos mais jovens, aos que não tem jogado tanto nesse início de temporada e aos que retornavam de lesão. Especificamente neste texto, vamos analisar os dois jogadores mais “prontos” para gerar um elevar o potencial da equipe e corrigir alguns dos principais problemas já diagnosticados até aqui nessa campanha: a criação de jogadas pelos pontas e as falhas de marcação na lateral direita. 

Observando atentamente o jogo, ficou claro o domínio que Reece James possui de todo o lado direito do campo, sendo capaz de, sem a bola, fechar os espaços e apertar a marcação em seu setor e, com ela, avançar e levar o time ao campo de ataque e chegar com facilidade à linha de fundo. O segundo gol da partida, marcado por Batshuayi, teve assistência do promissor lateral, após tabela com Pulisic, o quarto gol nasceu após um cruzamento perfeito seu, completado por Kurt Zouma, e ele mesmo foi lá e anotou seu nome entre os artilheiros do jogo, fazendo o quinto gol, em belo chute de fora da área. Uma noite memorável e um cartão de visitas e tanto. 

Hudson-Odoi, por sua vez, despensa apresentações. O jogador integra o elenco principal dos Blues desde o ano passado e chegou a ser titular na reta final da temporada, até lesionar-se gravemente. No jogo contra o Grimsby, foi possível perceber um jogador que ainda carece de ritmo de jogo, mas capaz de produzir jogadas que os veteranos Willian e Pedro já não conseguem entregar. Isso, por si só, já o coloca à frente na briga por uma vaga de titular, mas ainda há muito espaço para desenvolvimento e evolução no jovem inglês. O gol de ontem, ao melhor estilo “Hazard” - recebendo na ponta esquerda, usando o corpo para ludibriar a marcação e batendo forte com o pé esquerdo -, coroou sua boa atuação e deu a Frank uma excelente alternativa para a dura sequência de jogos que teremos no próximo mês. 

É sempre importante frisar que os dois, pela idade, ainda oscilarão e terão partidas não tão boas, sobretudo James, que faz apenas sua primeira temporada no time principal. Por isso, será natural que, por vezes, eles se sentem no banco para que Azpilicueta e Pedro ou Willian joguem, seja por uma rotação natural em decorrência de desgaste físico, seja por uma opção do treinador. O certo é que a torcida não deve esquecer dos objetivos de médio/longo prazo desse novo projeto e esteja ao lado de jogadores e comissão técnica, para que, em alguns poucos anos, tenhamos, quem sabe, um time jovem e capaz de nos conduzir a uma nova conquista de Champions e de Premier League.


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