O ataque é o grande triunfo em meio ao desequilíbrio

Abraham marcou contra o Arsenal e chegou ao 14º gol na temporada. (Foto: Premier League)

Que o equilíbrio é a chave para o sucesso de qualquer time, independente do esporte, todo mundo sabe. Trazendo a reflexão para o futebol, ser sólido na defesa, consistente no meio-campo e cirúrgico no ataque significa abrir portas para vitórias de diversas formas, seja dando show, como o Barcelona de Pep Guardiola; controlando a temperatura do jogo e decidindo nos momentos certos, como o Liverpool de Klopp; ou simplesmente ‘achando’ os gols, como o Chelsea de 2012. 

O Chelsea de Frank Lampard está muito longe desse equilíbrio. Enquanto o ataque funciona, principalmente graças ao letal Tammy Abraham e a criatividade de Pulisic, Willian e Mount, a defesa ainda não consegue passar segurança, apresentando erros muitas vezes crassos, como bolas defensáveis de Kepa Arrizabalaga, bolas nas costas de Azpilicueta e Emerson e erros de marcação e posicionamento dos zagueiros Zouma, Christensen e Tomori. 

Enquanto o tão sonhado (e esperado) equilíbrio não chega, vamos falar hoje justamente sobre o que desequilibra: o ataque.

O ataque em números 

Atualmente, o setor de ataque do Chelsea (deixando de fora Giroud e Pedro que são cartas fora do baralho), já conta com 36 gols anotados, distribuídos entre o artilheiro Abraham (14), Pulisic (6), Mount (5), Willian (5) e Batshuayi (5), sem contar as 21 assistências. Isso é reflexo de um setor bem treinado e que aposta muito na criatividade de seus pontas e principalmente nas triangulações, que quase sempre geram perigos de gol para os Blues.

As fortalezas de um setor cada vez mais redondo 

O entrosamento é cada vez mais nítido e, o mais interessante, é que cada um desses jogadores sabe bem o seu papel no momento ofensivo. Nesse contexto, destaco três situações: 

1) Mount jogando alguns passos atrás de Abraham para ficar em posição de finalização e liderar triangulações após receber passes do meio de campo; 

2) Lapsos de CRAQUE que vem dos pés de William e Pulisic, esse últimos principalmente depois de ter a posição ajustada pelo treinador Frank Lampard (antes abertos muito pelos lados e agora caindo mais pelo meio, potencializando o 1-2 e permitindo mais chegadas ao gol adversário); 

3) A capacidade de finalização de Abraham, que é um 9 capaz de empurrar para o gol de tudo quanto é jeito, uma grande virtude de um típico centroavante.

Acredito que estes números e pontos positivos são reflexos da personalidade dentro e fora de campo de Frank Lampard, além é claro da competência dos jogadores citados. Todo mundo sabe que além de ser o maior artilheiro da história do Chelsea, Lampard sempre teve uma mentalidade que eu particularmente adoro: priorizar o produto final

A partir do momento que isso enraizou nos nossos meio campistas Jorginho, Kanté (muito graças a Maurizio Sarri) e Kovacic, o ataque começou a desandar. Coincidência? De forma alguma. Trabalho e mérito de Lampard.

O que pode melhorar com a queda do transfer ban?

Nos últimos dias alguns rumores começaram a ganhar força, principalmente com o fim do transfer ban (na minha opinião responsável direto pela vinda de Lampard e sucesso da academia, afinal, há males que vêm para o bem). Mas o que isso pode mudar no ataque do Chelsea? Será que a vinda de novos jogadores pode desmanchar o sistema e o entrosamento dos atacantes? Vamos analisar esses cenários elencando os rumores, do mais quente para o mais frio.

Jadon Sancho

Inúmeros veículos e jornalistas britânicos dão como ‘muito provável’ a vinda de Sancho, um dos jovens mais promissores do futebol mundial, se não O mais promissor. Caso a contratação seja concretizada e o inglês de 19 anos venha para o Chelsea, os 120 milhões de libras (quantia noticiada na Europa) seriam uma barganha. Sancho é o caro de um Borussia Dortmund que conta com muitas opções no setor ofensivo, como Reus, Brandt, T. Hazard e Alcácer. 

Sancho é companheiro dos jovens do Chelsea na seleção inglesa. (Foto: Divulgação)

Na minha opinião, ele seria o sucessor EXATO de Eden Hazard, não só em criatividade, drible e mentalidade, mas também em números. Sabe aquele jogo encardido, difícil e feio, que rema para um 0-0? Sancho é o cara ideal para arranjar o gol e garantir os 3 pontos. No cenário atual, onde nosso ataque é efetivo graças a COLETIVIDADE e não a INDIVIDUALIDADE, é fundamental termos esse elemento. Iria agregar e muito, sem contar o entrosamento de tempos com Pulisic e Batshuayi.

Timo Werner

O alemão de 23 anos é a referência do sólido RB Leipzig há algum tempo, além de ser um dos pilares da “nova seleção da Alemanha”, pós-Copa do Mundo de 2018. Embora viesse para disputar posição com Abraham à priori, Werner tem muita velocidade, finalização e oportunismo, podendo não só substituir o nosso 9 (afinal, não podemos ter apenas um centroavante com potencial para ser titular por temporada, considerando que Batshuayi sempre será reserva) como mudar cenários de jogo, seja ‘duplando’ com ele, mudando o sistema para um false 9 ou até mesmo trazendo mais frescor para jogos em que Abraham estiver mal ou lesionado. 

Werner é o vice-artilheiro da Bundesliga, atrás apenas de Robert Lewandowski. (Foto: Divulgação)

Para Gerd Wenzel, o último entrevistado pelo nosso site, Werner pode dar certo no Chelsea, porém dificilmente deixará a Alemanha nesta temporada. 

Victor Osimhen

Segundo grandes veículos da Inglaterra, Chelsea trava uma batalha com Liverpool e Tottenham para a contratação do atacante nigeriano de 20 anos, que atua como atacante em toda a faixa ofensiva do campo. Nessa temporada, jogando pelo Lille, Osimhen já contabiliza 10 gols e 4 assistências em 18 partidas jogadas (marcou inclusive contra o Chelsea, na fase de grupos da UEFA Champions League). Osimhen é muito físico, tem excelente impulsão e técnica refinada, principalmente no 1x1 contra o goleiro adversário, além de fazer muito bem o pivô e gostar de sair da área. Vejo ele como um reserva, mas que teria muitos minutos, entrando em jogos ganhos e também naqueles onde o gol não está saindo.

Osimhen tem características semelhantes ao de Abraham. (Foto: Divulgação)

Particularmente, gosto muito dos três reforços, pois todos viriam para agregar em novos cenários de jogos, não só serrem substitutos ou complementários aos atacantes que temos em plantel hoje. Porém, é claro que os três não virão e até nem precisa, pois temos que buscar peças visando o equilíbrio citando no início do texto.

Minha preferência? Jadon Sancho, sem sombra de dúvidas. Além de todo o repertório mencionado na análise, teríamos um jogador que em breve poderá ser chamado de craque (se já não for agora), elevando o patamar do Chelsea no mercado, conquistando novos fãs no mundo todo, ganhando títulos e tudo isso por muitos e muitos anos.



Postar um comentário

0 Comentários