Defesa que todo mundo passa

Foto: Divulgação

Há uma frase no meio do futebol que é constantemente dita, principalmente em equipes que vivem má fase ou atravessam um período de transição radical: “o melhor é sempre quem está de fora”.

Nada define melhor o setor defensivo do Chelsea na atual temporada do que essa frase. Erros individuais, falhas de posicionamento, bola parada fraquíssima e clean sheets escassos provam que o primeiro terço do campo (e o terceiro, sob a ótica do adversário) é um grande problema.

A começar pelo goleiro. Kepa Arrizabalaga vem fazendo uma temporada péssima com partidas constrangedoras. Não vou me esticar na análise do espanhol pois o colunista Allan Bastos já o fez com maestria, em seu texto ‘É urgente barrar Kepa para o bem dele e para o do Chelsea’.

A zaga é o setor do time com maior rotatividade de jogadores. Pode parecer que Frank Lampard ainda não sabe quem escalar, confesso que por muito tempo achei isso, mas hoje estou inclinado a acreditar que são os próprios jogadores que não facilitam para o treinador.

É fato que nosso plantel de zagueiros é limitado e não conta com nenhum jogador Word Class: Antonio Rüdiger, Kurt Zouma, Andreas Christensen, Fikayo Tomori são os responsáveis por impedir o adversário de chegar ao gol.


Rudiger, Zouma e Tomori comemoraram vitória pelo Chelsea. (Foto: divulgação)

Rüdiger, que jogou 10 partidas até o momento e ficou parado por um longo tempo devido a uma lesão, vem se mostrando lento, tomando decisões duvidosas e sem aquele ímpeto que o fez um fan favorite temporada passada. Nem mesmo seus clássicos lançamentos (a.k.a ligações diretas) estão funcionando.

Já Zouma, que o Everton tentou de todas as formas comprar após o empréstimo (a pedido do ex-treinador Marcos Silva), começou titularíssimo, o que rendeu críticas por parte da torcida devido a seu modo ‘desgovernado’ de jogar. Mesmo assim, atuou em 29 jogos até o momento, mas figura entre os reservas já há algumas semanas.

O norueguês Christensen, que desde sua falha decisiva contra o Barcelona na Champions League na temporada comandada por Antonio Conte, ficou marcado por ser um jogador “morno”, que sente muito a pressão e perde sempre a batalha contra si mesmo. Mas, ‘a César o que é de César’: ganhou a titularidade recentemente e está jogando bem. Talvez tenha percebido que é sua última chance de ser jogador de um grande time da Inglaterra e resolveu jogar bola. A conferir.

Na minha opinião, nenhum dos três citados acima será mais do que são, ou seja, atingiram o teto. Por isso, aposto muito no inglês Fikayo Tomori, que começou a temporada como titular (e marcou um dos gols mais bonitos da temporada contra os Wolves) e conta com a simpatia de Lampard graças aos tempos de Derby County, onde foi muito bem. Tomori jogou 20 partidas na temporada, mas amarga o banco de reservas já há algum tempo. É certo que se está sofrendo por pequenas lesões e caiu de produção, mas a meu ver tem tudo para evoluir e se tornar um bom zagueiro. ‘Zagueiraço’? Só o tempo dirá. Mas com certeza tem mais chances de ser do que os demais.

OPINIÃO:
Apenas Tammy Abraham não é o suficiente

Mas bem, o que falta para essa zaga se tornar confiável? Treino, consciência tática e contratações. Erros em bola parada, por exemplo, é sinal de que algo não está encaixando nos treinamentos, isso é na conta de Lampard. Além disso, entendo que a contratação de um zagueiro mais consolidado e vencedor pode servir como ‘inspiração’ para os demais, que poderão aprender, absorver ‘macetes’ da posição e trazer mais equilíbrio para a defesa dos Blues.

Particularmente, a zaga é um setor que me apego muito e acredito que a maioria dos torcedores do Chelsea também. Durante muitas e muitas temporada, esse setor não era problema, e sim, uma grande fortaleza. Afinal, para quem teve a lenda John Terry, Ricardo Carvalho, Gary Cahill, Alex e até mesmo Ivanovic improvisado (sorry, David Luiz), ver o time tomar tanto gol, alguns bobos, dói.

Abaixo, a minha opinião sobre os laterais do Chelsea, fechando a análise sobre a nossa linha de defesa. Áudio disponível no Spotify, Anchor e Apple Podcasts.



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