O núcleo de confiança de Frank Lampard

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Que a temporada 2019/2020 seria atípica, ninguém tinha dúvidas. Pela primeira vez em muito tempo, o Chelsea não contratou ninguém na janela de verão, em decorrência da punição imposta pela FIFA por irregularidades na contratação de jogadores menores de idade. Acerca desse assunto, já falamos inúmeras vezes, em textos e nos podcasts, e não vou me alongar nele. Quero falar das implicações que podemos verificar no trabalho de Frank Lampard e no elenco como um todo.

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Aos 41 anos, Super Frank é um dos treinadores mais novos da Premier League. Não é jovem apenas na idade, mas também no tempo em que é técnico profissional: essa é apenas sua segunda campanha comandando uma equipe profissional - a primeira foi com o Derby County, clube com o qual quase conquistou o acesso da Championship à PL. É possível afirmar, sem medo, de que ele está em processo de aprendizado e que, por isso, precisa de algumas "âncoras" com as quais contar para desempenhar seu trabalho. Aqui, falo especificamente do cerne desse texto: a confiança em jogadores "medalhões" de qualidade, no mínimo, duvidável.

  • Antonio Rüdiger: O zagueiro alemão está no clube desde 2017, quando foi contratado junto à Roma por indicação de Antonio Conte. Acreditava-se que ele seria o ponto de solidez da zaga, sobretudo porque, há algum tempo, vinha sendo o principal defensor do elenco. Contudo, a lesão que sofreu no início da atual temporada parece atrapalhá-lo ainda hoje, já que suas atuações não têm correspondido ao que se espera dele e ao que já vimos que ele é capaz de entregar. Ainda assim, é peça chave no onze inicial.
  • César Azpilicueta: Capitão do Chelsea desde a saída de Gary Cahill, Dave vive uma relação de amor e ódio com a torcida. Amor, porque o empenho e a paixão que demonstra a cada vez que utiliza o uniforme dos Blues transparecem e contagiam os fãs; ódio, porque os níveis de atuação do polivalente lateral têm caído semana após a outra. Aos 30 anos, o espanhol possui mais 2 anos de contrato e deve cumpri-los até o fim, facilitando o caminho e aliviando a pressão para Reece James, seu sucessor natural.
  • Jorginho: Apesar de estar apenas em sua segunda temporada com a camisa azul, o ítalo-brasileiro já ocupa o posto de vice-capitão da equipe. Com um perfil de liderança mais forte que o de Azpilicueta, o que preocupa em Jorginho é sua dificuldade de adaptação a estilos de jogo diferentes do 4-3-3. É inegável como vem desenvolvendo seu jogo longe das asas de Sarri e sob a batuta de Frank, tornando-se um jogador mais completo. Entretanto, os constantes rumores de uma reunião com seu antigo treinador, mais a excelente temporada de Kovacic, mais uma jovem promessa chamada Billy Gilmour podem encurtar a passagem dele por Stamford Bridge, mas isso só saberemos ao final da temporada.
  • Willian: Outro que vive entre o céu e o inferno com a torcida. Adorado pelos fãs brasileiros, Willian tem sido bastante criticado por ser inconstante ao longo de seus 7 anos pelos Blues. Ao todo, são 329 jogos, 59 gols e outras 59 assistências (números do site Transfermarkt), o que, traduzindo, significa uma participação direta em gols de 0,35 por jogo. Hazard, o último grande ídolo a passar por SW6, fez 352 jogos, 110 gols e 92 assistências (média de 0,57 contribuições para gols/jogo). Willian é um dos pilares de Lampard dentro de campo, mas seus números e performances não refletem a confiança depositada nele.

O que parece é que, dada a inexperiência de Frank, somado a um elenco muito rejuvenescido e e repleto de jogadores que buscam uma chance para provar que têm condições de jogar no Chelsea (como Zouma, Batshuayi, Barkley, Palmieri e outros), ter um núcleo duro com quem contar para estruturar a equipe era quase natural. Os inúmeros problemas de lesões com que tivemos - e ainda temos - que conviver também fizeram com que os jogadores acima fossem mais utilizados do que o próprio Lampard gostaria. Seja como for, é com eles que vamos até o final da campanha na busca por uma vaga na próxima Champions League. 

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Rüdiger e Azpilicueta, por força de contrato e prestígio, devem seguir para 20/21. Willian é uma incógnita, após as conversas para renovação de contrato terem esbarrado no problema do tempo de contrato (o jogador demanda três anos, o clube oferece dois). Jorginho possui vínculo por mais três temporadas, mas os rumores de que Sarri teria pedido sua contratação para a Juve podem levá-lo a Turim. O momento é de torcer pelo sucesso deles, de quem depende o sucesso do Chelsea na atual campanha, e de apoiá-los.


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