Como Ancelotti pode seguir ajudando Frank Lampard depois de uma década

Chelsea FC/Getty Images

Treinador campeão e vice-campeão inglês com o Chelsea nas temporadas 2009/10 e 10/11, respectivamente, Ancelotti voltou ao futebol inglês em dezembro do último ano para dirigir o Everton. No encontro do ex-treinador blue com o atual, e seu ex-jogador de meio-campo, Lampard, Ancelotti levou uma acachapante derrota por 4 a 0, jogo esse o último antes da paralisação por conta do novo coronavírus. Porém, apesar do resultado, Ancelotti tem muito a ensinar a Frank Lampard. E o jovem treinador, muito a aprender.

A ÁRVORE DE NATAL


Em sua biografia, "A Árvore de Natal", Ancelotti fala sobre sua carreira, como vê o jogo, cita os clubes por onde trabalhou e fala um pouco sobre Chelsea. Lá, ressalta como o treinador é capaz de mudar a história de uma temporada, como consegue mexer em uma ou duas peças e tornar o seu time muito mais competitivo.

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O italiano exemplifica isso com o Chelsea de 2009. Quando chegou em Londres e impôs a 'Árvore de Natal', seu esquema tático preferido, o 4-3-2-1, percebeu que Malouda, atacante que atuava pelo lado esquerdo na linha de 2, estava tirando o espaço para as infiltrações de Frank Lampard.

Ancelotti foi campeão inglês em sua primeira temporada em Londres. (Graham Chadwick/Daily Mail)

"Após refletir sobre isso, cheguei à conclusão que não podia tirar os espaços e a maior qualidade de um jogador que marcava quase vinte gols por temporada (Lampard). Encontrei, assim, uma solução: como Malouda também tinha características de extremo (ponta), desloquei-o ligeiramente para a esquerda e, com isso, criei o espaço necessário para Lampard infiltrar pelo meio", disse o treinador em seu livro.

FLEXIBILIDADE DE PENSAMENTO


Carlo vê essas pequenas mudanças como uma flexibilidade de pensamento. Ainda que cada treinador tenha seu ponto de vista tático, é necessário que valorize sempre a possibilidade de alguma pequena adaptação em seu estilo de jogo. Se pensarmos em Maurizio Sarri, pensamos em um treinador que vai na direção contrária à tudo isso. Não mudava nunca. Como já disse Green, terceiro do goleiro do Chelsea na última temporada, "se você assistisse um jogo do Chelsea, teria assistido todos os outros".

Para Ancelotti, as mudanças se tratam de um comportamento inteligente, sempre e quando:
  • O treinador tenha identificado a mudança como solução de melhora para a sua equipe
  • As modificações diminuam os pontos de referência dos adversários
  • As mudanças não sejam frequentes e nem radicais, coisa que poderia desestabilizar a identidade do seu time

Destaco o último ponto para tentar trazer à nossa realidade atual. Frank Lampard mexe muito, em muitos jogadores e muitas posições. Já testou o 4-2-3-1, 4-3-3, 3-4-3 e o 3-5-2. Posso entrar no mérito de que, por inúmeras vezes, Frank teve quase metade de seus titulares no departamento médico e que este, por sua vez, foi o responsável por agravar as lesões de Palmieri - até então titular absoluto -, Kanté e Tammy Abraham. Isso é verdade e precisamos pensar sobre antes de julgar o trabalho atual.

Lampard faz um bom trabalho em seu primeiro ano de Chelsea e sustenta o quarto lugar na Premier League. (Michael Regan/Getty Images)

De qualquer forma, são pontos para o atual treinador considerar para a próxima temporada. Um grande jogador já foi contratado e poderá acrescentar muito ao Chelsea - Ziyech. A torcida é para que o Departamento Médico colabore e Frank tenha todos os seus atletas à disposição para trabalhar. E que encontre o seu melhor modelo de jogo e os seus titulares. Um time campeão precisa ter uma identidade.

No entanto, nas últimas partidas, já pudemos observar um time extremamente intenso e objetivo. Isso mostra que o trabalho está dando resultado e funcionando da maneira que Lampard quer, aos poucos, mesmo com as enormes dificuldades já sabidas.


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