O incerto futuro de Jorginho em Stamford Bridge

Sebastian Frej/MB Media/Getty Images

A parada no campeonato inglês provocada pela pandemia da Covid-19 pegou a todos de surpresa, mas poucos jogadores parecem sentir mais seus efeitos do que Jorginho. O meio-campo brasileiro naturalizado italiano cumpriu suspensão na rodada que marcou a volta da Premier League, contra o Aston Villa, e, desde então, tem frequentado o banco de reservas sem ser sequer utilizado no decorrer das partidas. Esse fato tem levantado dúvidas acerca de seu futuro em Stamford Bridge, fazendo com que Lampard tenha que responder constantemente a questionamentos a esse respeito e que as especulações de uma possível reunião com seu ex-treinador, Maurizio Sarri, na Juventus, possam ocorrer já na janela de transferências do futebol europeu.

Jorginho foi contratado no início da temporada passada, em negociação que também trouxe para Londres o ex-comandante Maurizio Sarri. O ítalo-brasileiro foi a condição imposta pelo treinador para assinar com os Blues, já que sua filosofia de jogo passava por controlar a posse de bola e por ditar o ritmo dos jogos. Sua chegada fez com que Fàbregas, um dos destaques do clube nos últimos 5 anos, fosse negociado com o Monaco, em janeiro de 2019, devido ao pouco tempo em campo que vinha recebendo.


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Com Sarri, Chelsea e Jorginho conquistaram a UEFA Europa League e se classificaram para a Champions League de 2019/2020, com a terceira colocação na Premier League. No entanto, os problemas de vestiário e uma vantajosa proposta da Juventus encurtaram a passagem do técnico pela Inglaterra. Mais um projeto que se pretendia de longo prazo, mas que foi interrompido no meio do caminho, como ocorreu com a segunda passagem de Mourinho, entre 2013 e 2015, e a passagem de Antonio Conte, entre 2016 e 2018.


MERCADO

A chegada de Lampard levantou, logo de início, dúvidas acerca do papel que seria desempenhado por Jorginho na montagem do novo elenco. A proibição de realizar contratações fez com que Frank tivesse que se adaptar ao que tinha em mãos e, talvez por esta razão, não tenha se afastado tanto da forma como Sarri trabalhava, eventualmente alternando o 4-3-3, esquema utilizado majoritariamente por ambos, para um 4-2-3-1 ou mesmo um 3-4-3. E é aqui que a coisa se complica para o meio-campo: Jorginho parece jogador de uma posição só, a de regista, o homem responsável por atuar mais próximo aos zagueiros e fazer a distribuição do jogo a partir de trás. Traduzindo, seria o primeiro volante, mas cuja principal função é construir a jogada desde o seu campo defensivo, e não apenas marcar e desarmar adversários. Quando ocorre alguma alteração tática e essa posição deixa de existir, suas dificuldades de adaptação são imensas e, muitas vezes, o treinador prefere lançar mão de outras peças, como Barkley ou mesmo o jovem Gilmour.


OPINIÃO

Pelo que já se pode perceber até o momento sob a nova gerência, é prematuro dizer que Jorginho está escanteado ou que Lampard não conta mais com ele. Durante toda esta campanha, vimos outros jogadores terem de aguardar no banco por novas chances mesmo depois de uma sequência de boas atuações, casos de Tomori, Reece James e Kovacic, por exemplo. Por outro lado, a limitação de estilo de jogo quando o meia está em campo é um fator que pode colocá-lo em rota de saída de Stamford Bridge, devido à constante variação de esquemas promovido pelo técnico.

Particularmente, sou daqueles que acham que Jorginho ainda tem lenha para queimar nos Blues e bancaria sua permanência. Em primeiro lugar, por ser um líder no vestiário e vice-capitão de uma equipe tão carente de figuras deste tipo. Em segundo lugar, porque jogadores mais jovens precisam de atletas mais velhos para auxiliarem em seus desenvolvimentos e assumirem a pressão em momentos mais difíceis. Nesse sentido, Gilmour seria claramente o maior beneficiado, mas Connor Gallagher, que vem fazendo brilhante temporada na Championship, também teria muito a aprender com o italiano. Finalmente, porque apesar de limitar a forma de jogar, as características de Jorginho são únicas e têm fundamental importância em diversos momentos na Premier League, sobretudo contra equipes que jogam muito recuadas e no erro do Chelsea. Para este tipo de jogos, principalmente, contar com alguém com sua capacidade de girar a bola de um lado para o outro até encontrar o momento certo para o passe pode ser a diferença para sair com os 3 pontos.


Catherine Ivill

De uma forma ou de outra, tudo o que se tem até o momento são especulações e nada mais. Os jornais o colocam próximo da Juve, por conta de Sarri, mas vale destacar que o próprio Jorginho considerou a ida de seu amigo para a Vecchia Signora uma "traição" com a torcida do Napoli. Na partida de ontem, contra o Crystal Palace, o meia voltou a ser utilizado no segundo tempo, substituindo Billy Gilmour, e conseguiu aumentar a posse de bola e ajudar a controlar um jogo que oferecia muitos riscos. Com a lesão de Kanté, é possível que ganhe a oportunidade de começar contra o Sheffield United, no próximo sábado, e assim, quem sabe, comece a silenciar um pouco os rumores sobre seu futuro.


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1 Comentários

  1. Jorginho é um jogador com zero dinamismo, o meio campo fica engessado com ele, não dá combate, o 5° gol do Liverpool é um resumo fiel de que tipo de volante ele é: MOLE. Gilmour faz o que ele faz e ainda é mais barato, vende logo Jorginho enquanto tem mercado. Acho ele um perna de pau enganador.

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