Lampard pode e deve fazer melhor

(Foto: Teller Report)

Todos sabíamos que a primeira temporada de Frank Lampard no comando do Chelsea seria difícil. O clube acabava de vender sua principal estrela em anos, com a saída de Eden Hazard para o Real Madrid, além de estar proibido de realizar contratações por duas janelas de transferências, em punição imposta pela FIFA por supostas irregularidades no recrutamento de jovens abaixo de 18 anos. Por este motivo, 2019/20 seria de reconstrução e de moldagem de um projeto projetado para ser vitorioso, mas no médio/longo prazo. Tendo isto em mente, toda crítica e elogio feito ao treinador, ao menos neste blog, procurou ser modulada de modo nem a enaltecer demais em caso de vitórias, nem a apontar dedos e culpados em demasia em caso de derrotas.

Em sua segunda campanha como técnico dos Blues, e com todas as contratações feitas até agora, é até natural que o sarrafo seja elevado e que a pressão aumente sobre os ombros de Frank. Por mais que, até o momento, tenhamos apenas dois jogos para analisar na atual Premier League 2020/21, alguns erros remanescentes da temporada passada já começam a aparecer e incomodam ao serem percebidos. Contra o Liverpool, eles foram escancarados, e vamos tentar destrinchá-los abaixo.

A manutenção de Kepa e Jorginho como titulares

Eu realmente não gostaria de começar falando sobre Kepa, mas Lampard não me dá alternativa. O espanhol iniciou como titular contra Brighton e Liverpool e fez o que fez ao longo de toda a última campanha: sofreu um gol de fora da área em chute defensável contra o Brighton, transmitiu a habitual insegurança à zaga (razão pela qual entendo que Christensen preferiu agarrar o Mané da forma que fez e correr o risco de ser expulso do que deixar a bola para o goleiro resolver) e "coroou" suas atuações entregando de bandeja o segundo gol para o time de Klopp, em falha gritante de passe no meio da área. O ítalo-brasileiro e capitão da equipe nos dois primeiros embates também não conseguiu reverter a imagem negativa deixada em 2019/20, ao ser peça nula em ambos os confrontos. Não conseguiu contribuir na saída de bola, não marcou e foi completamente anulado pelo meio campo extremamente intenso dos Reds. Marcou de pênalti contra o Brighton, mas desperdiçou contra o Liverpool que poderia nos dar alguma sobrevida na partida.

A alternância entre esquemas táticos

Se você nos acompanha há algum tempo, sabe o quanto já escrevemos aqui no blog e discutimos no Podcast of Stamford sobre a falta de padrão de jogo desde que Lampard assumiu o comando da equipe. Nos dois primeiros jogos, foi possível observar duas formações diferentes: contra o Brighton, a escolhida foi o 4-2-3-1; já contra o Liverpool, fomos de 4-3-3, pelo menos até a expulsão de Christensen. É claro que Frank ainda não possui todas as peças à sua disposição para armar seu time ideal, mas essa alternância logo nas primeiras rodadas demonstra que poderemos nos adaptar ao estilo do adversário que iremos enfrentar, o que, por si só, não é mau. O problema é quando você sacrifica as potencialidades das suas peças em nome de um esquema, e é exatamente esse o terceiro erro.

Utilização de jogadores fora de suas posições principais

Kanté é, há tempos, um dos melhores meio campistas defensivos do mundo, mas desde a chegada de Maurizio Sarri e Jorginho tem sido obrigado a jogar um pouco mais adiantado. O francês adaptou-se bem às novas funções e Lampard continua a utilizá-lo assim. Contra o Liverpool, Kovacic completou juntamente com os dois o trio de meio campo, sendo o brasileiro o mais recuado deles. Contra o Brighton, com o Croata suspenso, Frank utilizou a dupla como os dois do 4-2-3-1, o que deixa Kanté mais a vontade, mas faz com que Jorginho se perca completamente em seu posicionamento. Além disso, nesta mesma partida, utilizamos RLC como 10 (algo não muito comum para ele), Mount na ponta esquerda e Havertz na direita. Já diante do Liverpool, Mason foi deslocado para a direita, Werner para a esquerda e Kai jogou a maior parte do tempo de centroavante, participando pouco das raras ações ofensivas criadas pelo time da casa. 


Quando o Chelsea foi reduzido a 10 homens, com a expulsão de Christensen, o técnico poderia ter tentado corrigir o problema do meio campo. Além da entrada de Tomori para recompor a zaga, Jorginho poderia ter sido sacado para a entrada de Azpilicueta, numa alteração que faria Reece James trocar a lateral pelo meio campo, adicionando marcação em uma tentativa de não apenas se defender contra um dos melhores times da competição.

(Foto: Press Association)

Finalmente, o derradeiro erro de nosso ainda jovem e pouco experiente comandante tem sido de ordem exatamente sua falta de experiência. É claro que todos - elenco, comissão técnica, diretoria e torcedores - queremos ver os reforços em campo e dando resultados. Do contrário, não seria necessário gastar os milhões que gastamos nessas contratações. Entretanto, é importante entender que existem formas de fazer com que eles se integrem ao elenco e que é possível que se adaptem em velocidades diferentes à PL. Werner claramente já chegou mostrando a que veio, participando de muitas ações ofensivas nas primeiras partidas, sofrendo inclusive os dois pênaltis marcados a nosso favor. Havertz, por outro lado, foi escalado em duas posições diferentes, e nenhuma delas a sua principal, como 10. Por que, então, colocá-lo fora de posição num jogo de extrema importância como esse contra o Liverpool, sendo que tínhamos a disposição Giroud e Abraham, dois centroavantes que foram importantes temporada passada e que poderiam potencializar as qualidades de Werner jogando aberto pela esquerda?

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É início de trabalho e o Chelsea, Lampard e todo o elenco precisarão do nosso apoio. Nós estaremos aqui, partida após partida, apoiando para que os objetivos para a temporada sejam alcançados. É preciso confiar no processo e na transformação que está em curso em Stamford Bridge, mas é importante que as críticas necessárias sejam feitas, pelo bem da equipe e do técnico. Temos potencial para diminuir a distância em relação a Manchester City e Liverpool, e isso passa por corrigir os erros que já conhecemos.



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