Chelsea e Leeds: uma rivalidade inusitada

Chelsea e Leeds decidiram a FA Cup de 1970.

Por Tim Langendorf
O futebol inglês é recheado de grandes histórias que fazem com que a Premier League emule rivalidades de toda sorte. Dentre elas há uma em especial que ser reavivada neste sábado (05), justamente quando teremos torcedores em Stamford Bridge pela primeira vez em muito tempo. Depois de 16 anos de ausência, o Leeds está de volta a primeira divisão, e com sua volta ressurge também um desafeto antigo. De onde ele surgiu? Vejamos.

Começamos na década de 60, quando a Premier League ainda era algo bem distante. O Leeds era considerado por todos como uma equipe vigorosa e física, que intimidava o adversário, o famigerado Dirty Leeds; o que diz muito, já que o futebol inglês naquela época passava longe de ser sutil. Eis que surge o Chelsea no caminho do Leeds com frequência além do normal. Encarado pelos Peacocks como esnobes, os Blues praticavam um futebol de reconhecida plasticidade, em contraste com o vigor do adversário. O destino quis que ambos clubes se encontrassem inúmeras vezes por liga e copa durante toda a década, semre em partidas nervosas e disutadas, culminando na épica final de FA Cup de 1970.


Em abril daquele ano, Leeds e Chelsea eram umas das melhores equipes da Inglaterra, 2o e 3o colocados da liga, respectivamente, e ambos ainda não contavam com um título de FA Cup, com o Leeds tendo sido semifinalista em 65 e o Chelsea em 67. A partida em Wembley foi um confronto cheio de idas e vindas que terminou em 2 a 2. Pela primeira vez desde 1912 a final da FA Cup teria um replay.

A Inglaterra vivia com fervor o hooliganismo, e os Headhunters do Chelsea e o Service Crew do Leeds protagonizaram verdadeiros campos de batalha nas ruas, estações e bares. Cenas lamentáveis, mas que só aumentavam o desgosto entre as equipes de Londres e Yorkshire. A destruição em Londres foi tamanha que a partida decisiva foi transferida para um território neutro, Old Trafford, em Manchester. Foi a única vez entre 1923 e 2000 que a final do torneio ocorreu fora de Wembley.


A partida bateu o recorde televisivo de uma final de FA Cup, assistido por 28 milhões de espectadores, e é até hoje considerado por muitos o jogo mais violento da história. O árbitro, Eric Jennings, deixou o jogo correr e se viu em campo algo bem parecido com as ruas inglesas. A partida foi revisada por David Elleray em 97, e segundo ele, na era moderna do futebol, um total de 6 vermelhos e 12 amarelos deveriam ter sido aplicados, entre os dois lados, durante o jogo. Apesar da pancadaria, com direito à socos e voadora na cabeça (!), teve gols também.

O Chelsea usou um kit azul e dourado para o replay final da FA Cup de 1970 |Crédito: Getty - Contribuidor

Jones, do Leeds, minutos depois de empurrar Peter Bonetti, goleiro dos Blues, contra às redes, driblou o próprio, que ainda mancava, para abrir o placar.

Doze minutos depois, Peter Osgood (sempre ele) empatou de peixinho. Osgood estava completamente livre na área enquanto seu marcador se engalfinhava com outro jogador do Chelsea. É claro que o jogo acabaria em prorrogação. Após quase quatro horas de futebol (e MMA), no minuto final do 1o tempo da prorrogação, Hutchinson, do Chelsea, cruzou na área e Charlton, do Leeds, marcou contra. Detalhe, os dois eram os jogadores trocando delicadezas no gol de Osgood.


O Chelsea segurou até o fim e saiu campeão pela primeira vez da FA Cup em sua história, e aumentou a seca do rival. Desse dia em diante o que era uma rivalidade se tornou praticamente um evento à parte, ultrapassando até o fim dos hooligans, nos anos 90. Na temporada passsada os Blues confeccionaram um camisa comemorativa, inspirada no uniforme usado na grand final.

Foto: Chelsea FC

Dentre muitos embates houveram os emblemáticos 7-0 Leeds, em 67, e o 5-0 Chelsea, em 84. Obviamente a coisa esfriou bastante com o longo período em divisões diferentes, sendo o último embate um 5-1 para os Blues, na FA Cup 12/13, e a última vitória do Leeds em dezembro de 2002. 

Porém, uma dessas peripécias do futebol trouxe um tempero novo à esse reencontro que está por vir. Na temporada 18/19, Frank Lampard, debutando como treinador, eliminou o Leeds de Bielsa nos play-offs da Championship, depois de reclamar do argentino por espionar seus treinos. A torcida do Leeds pegou no pé do inglês e, apesar de pregar respeito à ‘El Loco’, ‘SuperFrank’ já foi visto tirando uma onda em vídeo da comemoração do Derby County. E quiseram os deuses da bola que eles se rencontrassem na Premier League, justamente à serviço dos rivais históricos.

Diferentemente da épica final de 70, o jogo promete ser bem menos violento, mas com certeza de muita intensidade. Ambas equipes praticam um futebol de forte pressão e velocidade de movimentação e transição de jogo. O clima é de jogão para o fim de semana.

A biografia oficial do Chelsea cita o Leeds como um de seus maiores rivais, e no Football Sensus, torcedores votaram o Chelsea como seu segundo rival mais odiado.

Números históricos de Chelsea e Leeds:

Partidas: 103
Chelsea: 35 (137 gols)
Leeds: 39 (145 gols)
Empates: 29

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