Drogba homenageia Maradona em carta: "Adeus, Diego. Te amei muito"

Drogba conheceu Maradona pessoalmente na Copa da Rússia, em 2018.

Nesta última terça-feira (1), Didier Drogba, ídolo do Chelsea, homenageou Diego Armando Maradona, que faleceu na semana passada. A carta foi divulgada pela revista France Football

Na carta, Drogba confessa que Maradona é um dos seus maiores ídolos, relembra momentos com o argentino e diz que a morte do ex-jogador foi o "fim do meu futebol". Quando era criança, Didier pedia para que seus amigos o chamassem de "Diego", conta que "sua primeira camisa foi da seleção argentina", e que esta foi a sua "segunda pele" por anos.

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Drogba encontrou Maradona pela primeira vez na Copa da Rússia de 2018. "Foi um pouco como ganhar a minha Bola de Ouro", compara o ex-Chelsea. 

A CARTA DE DROGBA 

Sempre quis ser Maradona:

No dia em que deixei minha carreira de jogador, foi como se meu sonho de infância tivesse acabado. Aquela ‘pequena morte’ tinha sido difícil de viver, porque de repente nos encontramos um pouco nus, sem horizonte, sem objetivo a alcançar, sem sonho a superar.

Agora, com a sua morte, é muito mais do que o sonho de uma criança que está morrendo: é o fim do 'meu' futebol. É o fim da ideia que sempre tive e da qual você foi ao mesmo tempo símbolo, modelo e porta-voz. Um futebol cheio de vida, ousadia, malícia e liberdade.

Eu nasci no futebol com você. Conheço perfeitamente a sua Copa do Mundo de 1986. Acabei danificando o meu VHS das suas jogadas, por assistir centenas de vezes. A primeira camisa que eu tive foi da Argentina, meu tio me trouxe de um torneio na América do Sul.

Na quadra, eu dizia a meus amigos para me chamarem de "Diego". Aquela camisa da Argentina foi minha segunda pele por muito tempo; Eu carrego isso como um grande tesouro. Você deu a impressão de que sempre foi uma criança no campo, impondo sua lei entre os adultos. E nunca cresceu. Quando você perdeu a final da Itália 1990, chorei com você. Fiquei com o coração partido ao ver você triste, depois de toda a felicidade e alegria que você nos deu. Para mim, foi injusto.

Quando nos classificamos para a Copa do Mundo com a Costa do Marfim, em 2005, comecei a chorar e a pensar em você. Por fim, eu conseguiria, como você, meu ídolo, jogar uma Copa do Mundo. As lembranças me vieram desde criança, com minha camisa argentina. O engraçado é que meu primeiro jogo na Copa do Mundo foi contra a Argentina. Inclusive, marquei. Desta vez te vi de longe, não ousei chegar perto.

Eu sou tímido, embora nem sempre transpareça. De repente, eu, o capitão da seleção da Costa do Marfim e jogador do Chelsea, me senti como uma criança muito pequena na frente do 'meu Deus'.

Em 2008, quase te encontrei, mas você escolheu o período da Copa das Nações para vir visitar os Blues! Quando descobri que você tinha conhecido todos os meus companheiros de equipe enquanto eu estava em Gana, fiquei louco!

Finalmente, pude conhecê-lo em 2018, por causa da Copa do Mundo. Não tenho medo de dizer que foi o melhor dia da minha carreira. Sempre me lembrarei que você me beijou e disse: “Drogba, uma bomba!” Não sei se você percebeu, mas eu não estava mais tocando o chão. E demorei um pouco para descer. Era um pouco como a minha Bola de Ouro.

Nos últimos anos, pensei que poderia adivinhar a tristeza e o arrependimento em seu olhar frequentemente perdido. É uma loucura porque só falei com você por dez segundos e ainda tenho a impressão de que te conheço muito bem. Agora teremos que aprender a amar o futebol sem você. É como continuar a amar a vida depois que um ente querido se foi. Obviamente, é possível, mas vai demorar. Adeus Diego, amei muito você.

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