Organização, pressão pós-perda e resultado: o início de Tuchel no Chelsea

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Thomas Tuchel foi um treinador muito questionado desde as especulações até a sua contratação e apresentação oficial. Isso porque é um treinador que usa e abusa de esquemas que deixam a zaga mais vulnerável e aposta no poder dos alas. Até o momento, seu sistema está dando certo.

No ataque, o time se comporta como um 2-3-5 ou um 3-2-5, enquanto na defesa é recuado para o 4-4-2. Tuchel é um dos utilizadores do gegenpressing, que consiste em pressionar o adversário em sua saída de bola após perdê-la, jogando em seu erro através da marcação alta, combatendo e buscando o contra-ataque. Também apresenta flexibilidade tática quando necessário. 

Além disso, seu estilo de jogo é posicional e de aprendizagem guiada. Dessa forma, o treinador orienta de maneira a incentivar o jogador a buscar cumprir o objetivo traçado, sem dar direções específicas (você pode ler o texto completo sobre isso no Globo Esporte). Isso torna o time mais estratégico e criativo porque induz os jogadores a pensarem rapidamente dentro do estilo heavy metal do counterpressing e resulta em variedade de seu repertório. 

Chelsea ataca com 5 jogadores. (buildlineup.com)

Podem ser utilizados dois ou três zagueiros, dependendo da necessidade. Devido ao retrospecto de zaga falha dos Blues, o alemão tem optado pelos três zagueiros (Thiago Silva, Rüdiger e Azpilicueta ou Rüdiger, Christensen e Azpilicueta após lesão do brasileiro), com a existência de um mais flexível na defesa - no caso, Alonso ou Chilwell. O seu estilo de jogo favorece a movimentação dos volantes Jorginho e Kovacic, algo muito visível em seus mapas de calor das últimas partidas. 

Ademais, a utilização dos alas (James/Hudson-Odoi e Alonso/Chilwell) é essencial para trazer mais dinamicidade e controle de espaço ao sistema. Dentro disso, a linha de frente é apresentada com velocidade para forçar o erro e as fraquezas da defesa. Os cinco jogadores avançados se posicionam em ângulos diagonais para facilitar o passe com precisão. O trio de ataque estilo Salah, Mané e Firmino (no nosso caso, Werner - Mount - Abraham) também é um fator providencial para o sucesso da estrutura. 

Se antes havia a crítica de Frank Lampard não oferecer instrução técnica e tática aos seus jogadores, com Thomas Tuchel isso não pode ser afirmado. Seu método é tão visível que até o próprio Chelsea fez questão de salientar as diferenças para as escalações de Super Frank: 


Também é perceptível um maior crescimento na confiança por parte de Rüdiger, Alonso, Jorginho e Kovacic, principalmente por terem tempo de jogo, ao contrário do que acontecia com Lampard. Além disso, os gols das partidas partiram dos jogadores que estão se movimentando mais: Azpilicueta, Marcos Alonso, Jorginho e Mason Mount. 

Destaques 

Chelsea x Wolverhampton 

No jogo contra os Wolves, foram 840 passes completos, 79% de posse de bola e 14 finalizações. No primeiro tempo, foram 466 passes completados, mais do que qualquer time nesta temporada da Premier League. Além disso, nenhuma das quatro finalizações do Wolverhampton foi ao alvo, o que demonstra consistência na defesa blue. Foram 49 desarmes, sendo desses, 11 de Rüdiger. 

Callum Hudson-Odoi e Ben Chilwell foram os alas escalados na partida. Callum, na nova posição, completou de forma precisa 84% dos passes e 11 cruzamentos de 37 foram do jovem. No meio campo, Kovacic completou 148 dos 152 passes (97% de precisão), enquanto Jorginho completou 132. 

Chelsea x Burnley 

A maior movimentação dos alas pode ser vista nos mapas de calor feitos pelo Perfect Play: 

Marcos Alonso completou 86,5% dos passes durante a partida. O jogador não fazia aparições desde setembro de 2020. 

Mapa de calor - Marcos Alonso vs Burnley. Foto: Perfect Player 

O gol de Marcos Alonso de voleio está indicado para o Gol do Mês da Premier League: 


Callum Hudson-Odoi, um dos jogadores que a torcida queria ver mais presente nas escalações titulares, tem se destacado como ala. Contra o Burnley foram quatro passes chave, duas tentativas ao gol, uma assistência e 77% de precisão nos passes. O jogador também apresenta uma característica que o time sente falta desde a saída de Eden Hazard: a capacidade de driblar seus oponentes. 

Mapa de calor - Hudson Odoi vs Burnley. Foto: Perfect Player 

Tottenham x Chelsea 

Jorginho marcou o gol de pênalti da vitória do Chelsea contra o Tottenham, mas não foi somente isso que fez durante a partida. Além de 92% de precisão de passe, venceu três dos seis confrontos em chão e dois dos três aéreos, além de ter realizado dois desarmes.

Mapa de movimentação - Jorginho vs Tottenham. Foto: Perfect Player 

Sheffield United x Chelsea 

Mateo Kovacic foi o jogador que passou mais tempo com a posse da bola, 9,4%. Além disso, em um balanço dos quatro primeiros jogos da era Tuchel, apenas um gol foi concedido ao adversário, o menor número desde Guus Hiddink em 2009. 


Mapa de movimentação - Kovacic vs Sheffield United. Foto: Perfect Player 

Além disso, o gol de Mason Mount foi o terceiro das últimas dez partidas, mostrando como Tuchel utilizará o jogador ofensivamente para marcar gols, não somente para possibilitá-los aos seus companheiros. Ele é o segundo jogador mais jovem a atingir esse marco, depois de Arjen Robben. 

Por fim, tudo indica que a recuperação de Timo Werner está acontecendo. Além da assistência para o gol de Mount, também sofreu o pênalti convertido por Jorginho. Thomas Tuchel fará o necessário para reabilitar sua confiança, desde as orientações dentro de campo que faz com todos os jogadores - um diferencial em relação a Frank Lampard - até a sua adequação no sistema ofensivo em posição de maior conforto ao camisa 11. 

Próximos caminhos 

O Chelsea enfrenta hoje (11) o Barnsley pela quinta rodada da FA Cup, em seguida, enfrenta o Newcastle e o Southampton pela Premier League, preparando-se para a partida das oitavas de final da UEFA Champions League contra o Atlético de Madrid no dia 23 de fevereiro em Bucareste, na Romênia. 

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