A gestão de elenco de Thomas Tuchel

Treinador alemão chegou e em pouco tempo transformou o Chelsea

A troca de um treinador no meio da temporada é algo sempre doloroso e, por vezes, até traumático para uma equipe. Quando a pessoa a ser substituída é um dos maiores ídolos da história do clube, as coisas se complicam ainda mais, principalmente porque a expectativa até então no torcedor era de um trabalho de médio/longo prazo. Mas o Chelsea é implacável com seus técnicos e Frank Lampard descobriu, da pior forma possível, que nem ele próprio estava a salvo desse destino. Uma sequência de resultados ruins, combinado com um desempenho ainda pior dentro de campo, e já não havia mais o que fazer para salvá-lo.

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Thomas Tuchel chegou sob enorme desconfiança da torcida, apesar do respaldo da direção e da crítica esportiva, que viam nele potencial para entregar resultados e fazer esse elenco render. O torcedor, sempre baseado no coração, não conseguia digerir o tratamento dispensado a Frank, como se ele fosse apenas mais um treinador que passou pelo comando do Chelsea. Pessoalmente, fui contra a demissão naquele momento, apesar de entender completamente a decisão de quem comanda o clube na ocasião. Olhando para trás, hoje, fica ainda mais notório o acerto: consolidação na briga pelo Top 4 da Premier League e, sobretudo, classificado para as quartas de final da Champions League, algo que não acontecia desde 2014.

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O impacto do comandante alemão é ainda mais importante se analisarmos a forma como ele vem gerindo seu grupo de atletas desde que chegou. Ciente de que precisava entregar resultado desde o primeiro momento, apoiou-se nos jogadores mais experientes do elenco, como Azpilicueta, Thiago Silva, Rüdiger, Jorginho e Giroud, e concentrou-se em corrigir os problemas defensivos, implementando seu esquema favorito, com 3 zagueiros, desde sua estreia, contra o Wolverhampton. De lá para cá, já são 14 jogos invictos, com 9 vitórias, incluindo as duas sobre o Atletico de Madrid, pela Champions, e as sobre Tottenham, Liverpool e Everton, pelo campeonato inglês, 5 empates e somente 2 gols sofridos.

O RESGATE DO BOM FUTEBOL

Tuchel tem muito mérito no resgate do bom futebol da equipe como um todo, mas também de cada jogador individualmente. A linha de 3 defensores favorece Azpilicueta pela direita, Thiago Silva, Christensen e Zouma centralizados e Rüdiger pela esquerda. No meio campo, Mount continuou tendo o protagonismo ao qual já estava habituado, apesar de ter sido reserva nos dois primeiros jogos, mas é de se destacar como o esquema com dois meias mais "defensivos", por falta de termo melhor, favorece o futebol de Kanté e Kovacic. Jorginho também se adaptou bem às novas funções e tem se destacado, principalmente contra equipes que esperam mais atrás e não pressionam tanto a saída de bola.

O grande efeito positivo do técnico alemão, entretanto, foi resgatar a confiança de Timo Werner e Kai Havertz, colocando os dois para jogar com liberdade e nas posições que se sentem mais a vontade. No jogo de ontem, contra o Atletico, ambos tiveram participação decisiva no gol de Ziyech, que abriu o placar em Stamford Bridge. A movimentação e as trocas constantes dos homens de frente, aliado às chegadas dos alas, dão uma capacidade ofensiva muito grande, mas que ainda precisa ser melhor traduzida em gols. Esse é, sem dúvida, o ponto a aprimorar deste novo Chelsea "Tuchelizado". Mas vamos devagar, não se corrigem todos os problemas do dia para a noite. Hoje, somos uma equipe competitiva, capaz de brigar por vôos mais altos tanto na Premier League quanto na Champions, e com chances mais reais de título na FA Cup.



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