Chega ao fim a ‘maldição das oitavas’

Mudanças internas e externas que desenharam a epopéia dos Blues

Por Tim Langendorf
Desde 2012, quando
o Chelsea Football Club se sagrou o primeiro londrino campeão do maior torneio do futebol europeu, no que foi provavelmente o momento mais improvável para que isso acontecesse, o clube passou a perder espaço e protagonismo no âmbito continental.


AP Photo/Kirsty Wigglesworth

No ano seguinte, a eliminação na fase de grupos, mesmo com o título da Europa League subsequente à isso, já indicava que um ciclo importante da equipe chegava ao fim. Aquele modelo de gestão ainda levaria o time à semifinal em 13/14, passando por um Paris Saint-Germain que ainda engatinhava na competição e caindo justamente para o Atlético de Madrid, adversário de ontem (17).


A reformulação era necessária e não seria fácil. Indício confirmado nas edições 14/15 e 15/16 do torneio, quando em ambas o Chelsea sucumbiu para o PSG, comprovando que os parisienses cresciam enquanto os londrinos perdiam espaço e prestígio. Até mesmo nas competições domésticas a ideia de recomeçar com José Mourinho, treinador que havia dado esse ‘passo à frente’ pela primeira vez no comando, se mostrou ineficaz.


Getty Images

Era claro que a direção buscava algo novo, que elevasse novamente e estabelecesse o clube como uma potência consolidada na Europa, mas tanto Antonio Conte quanto Maurizio Sarri não conseguiram êxito na missão. Contratações duvidosas, problemas de relacionamento com o elenco e direção e a tão citada ‘dificuldade de motivar esses jogadores’ foram alguns dos motivos pelos quais o Chelsea seguiu patinando na Champions.


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Veio, então, a punição da FIFA, e sem muitas opções, o clube se viu obrigado a dar um passo atrás. Era hora de completar a equipe com a tão badalada base, rever conceitos sobre contratos e novas adições e buscar um treinador que num primeiro momento estivesse disposto a trabalhar nessas condições, e, principalmente, conhecesse como o clube havia chegado lá na década anterior. Entra o herói: Frank Lampard.


Mike Hewitt/Getty Images

Identificado, conhecedor da casa, acostumado com os jovens, com ideias novas: SuperFrank era o pacote completo. Na cabeça de muitos, era óbvio que o caminho teria percalços, mas havia a certeza de que cedo ou tarde, o Chelsea chegaria lá. Uma campanha surpreendente na Premier League e uma queda justificável (apesar da surra), na Champions League, para o campeoníssimo Bayern, pareciam evidências de que o futuro podia ser melhor. Esquecemos apenas um detalhe: no clube de Roman Abramovich o futuro é semana que vem, se possível amanhã!


Como o bom herói do cinema, Lampard enfrentou problemas. Porém, diferente do roteiro clássico, não deu a volta por cima. Renovou os ares, trouxe bons reforços, restabeleceu a estrutura vencedora de seus tempos de jogador e deu casca aos garotos. Mas a realidade do futebol é bem diferente de um filme de Hollywood, e no fim o treinador foi julgado justamente por não ter a casca que buscava incutir no seus comandados.


Experiente, arrojado e carismático, Thomas Tuchel foi o escolhido para a missão. Chegou do dia para a noite e fez cada segundo valer. Alinhado com as ideias da diretoria (que muito parecem as de um imperador), ciente do desafio e alicerçado por uma base deixada pelo esforço de seus antecessores o alemão organizou suas tropas, estudou seus inimigos, alimentou seus comandados com confiança, e, contra o líder da liga espanhola, último dragão à engolir os leões numa semifinal, quebrou a maldição das oitavas!


Getty Images via @iF2is

Com a estrutura de três defensores de Don Antonio, o cacoete posicional de Sarri, que permite a saída de bola com frieza e qualidade e com o frescor moral e de juventude promovido por Lampard, o alemão adicionou sua ideia de progressão e fortaleceu a mentalidade de uma equipe que muitos julgavam imatura. Foi-se um capítulo dessa epopéia cheia de heróis (e alguns vilões), que terminou ontem, mas se tratando de Chelsea Football Club vocês já sabem: recomeça amanhã!


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