Há vida mesmo sem Thiago Silva

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A chegada de Thomas Tuchel no Chelsea causou muita desconfiança em grande parte da torcida. Já em seu primeiro jogo no comando dos blues, Tuchel fez com que esse sentimento se intensificasse ao barrar Zouma, que vinha fazendo uma temporada espetacular, para escalar Rudiger; além utilizar um esquema com três zagueiros, que não é do gosto da maioria dos torcedores.

Chelsea e Wolverhampton foi um zero a zero bastante chato e sem grandes emoções. Os zagueiros que estavam em campo (Thiago Silva, Rudiger e Azpilicueta) pouco foram exigidos e não havia a possibilidade de fazer uma análise sobre a mudança feita por Tuchel no sistema defensivo.


A pulga continuava atrás da orelha. “Rudiger uma hora vai entregar o ouro pro adversário” foi um comentário fácil de se encontrar em todos os canais onde se encontram torcedores do Chelsea. E, convenhamos, o passado nos permite pensar isso. Mais um jogo: Chelsea e Burnley. Será que o zagueiro alemão já deixaria sua marca?


Tuchel repetiu o trio de defesa e os blues saíram de campo com uma vitória e um clean sheet. Thiago Silva, mais uma vez, fez excelente partida: 6 cortes, 4 interceptações, 2 desarmes, aproveitamento superior a 70% nos duelos, 5 bolas longas e alta precisão de passes. Thiago, velho conhecido de Tuchel, se mostrava novamente como o pilar do sistema defensivo do Chelsea, mesmo que em um esquema diferente.

Próxima parada, Tottenham Hotspur Stadium. De longe o maior teste de Tuchel e, claro, Rudiger. Os olhares atentos de todos os torcedores dos blues estavam sobre o zagueiro. “De hoje não passa, o Rudiger vai dar a vitória pros caras”. Treinador novo, esquema não muito bem aceito, zagueiro odiado entre os titulares, clássico, o que mais poderia dar errado?

Reuters

Muitos não conseguiam ver a situação ficando mais desastrosa. Mas como dizem aqueles que sempre enxergam o copo meio vazio: nada é tão ruim que não possa piorar. Aos 36 minutos do primeiro tempo, Thiago Silva fez um corte providencial em uma investida do Tottenham e ficou no chão.

Pronto. Acabaram as chances de qualquer coisa boa na partida. A opção no banco? Andreas Christensen, outro jogador que divide muitas opiniões entre a torcida. Era o único zagueiro entre os reservas, precisaria entrar em campo e dar conta de segurar a vantagem mínima que o Chelsea tinha no placar. E, ufa, ele conseguiu! Mais três pontos na bagagem e terceiro jogo sem sofrer gols.

A lesão de Thiago Silva preocupou a todos. Vinha, desde o início da temporada, sendo fundamental no time. O medo era que ficasse de fora por muito tempo. E ficou. Desde sua lesão no dia 04/02, Thiago não jogou mais. Parecia o fim de qualquer esperança na temporada, mas o que veio pela frente deixou muita gente surpresa.

Nesse mês sem a presença do zagueiro brasileiro, o Chelsea disputou sete jogos. Derrotas? Nenhuma. Gols sofridos? Apenas dois (e um deles foi contra). Zouma voltou para o time titular? Não. Tuchel fez uma escolha que muitos de nós, torcedores, julgou arriscada: manteve o esquema com três zagueiros, apenas substituindo Thiago Silva por Christensen. E deu certo.

E o Rudiger, falhou? Salvo o gol contra no jogo contra o Southampton, fez excelentes partidas e ajudou bastante o Chelsea a ter os seis clean sheets obtidos nessa sequência sem Thiago Silva. O zagueiro alemão tem, com Tuchel, números bastante agradáveis. Jogou praticamente todos os minutos e apresenta média de 3 cortes por jogo, aproveitamento de 60% nos duelos no chão e 70% nos duelos aéreos.

Reprodução livesoccerupdates

Juntamente com o alemão, está Azpilicueta. Ambos jogaram dez dos onze jogos disputados sob o comando de Tuchel. O capitão do Chelsea, que havia perdido espaço de forma bastante natural para Reece James, voltou a figurar entre os titulares com frequência e vem correspondendo muito bem. Tem, em média, 3 cortes, 2 desarmes, 10 duelos e 1 passe decisivo por jogo.

Christensen, que como Rudiger já deu muitos motivos para que a torcida desconfie de seu potencial, também não deu espaço para dúvidas. É, hoje, o maior destaque do sistema defensivo. Desde que entrou (numa fria) contra o Tottenham, vem desempenhando seu papel em campo de forma invejável. Suas médias são de 4 cortes, 2 interceptações, 3 bolas longas por jogo e apresenta, entre o trio de defesa, o melhor aproveitamento de passes: 92%.

É claro que a vida com Thiago Silva no comando da defesa do Chelsea é muito mais bonita e tranquila, mas parece que também existe vida com Rudiger e Christensen em campo, ainda que ambos despertem muitas dúvidas na torcida. O susto quando Thiago saiu de campo no derby foi dos maiores que tivemos na temporada, mas ao que tudo indica Tuchel, Rudiger, Azpilicueta e Christensen tinham um plano. E até aqui esse plano está sendo muito bem executado.

No último jogo, vitória por 2x0 em cima do Everton em Stamford Bridge, Thiago Silva esteve entre os reservas e quase entrou em campo quando Zouma pareceu ter sentido uma lesão mais séria. Thiago ainda não teve minutos desde que se recuperou da lesão, mas sua volta parece iminente. E ao contrário do que imaginávamos, Tuchel terá dor de cabeça para montar o trio de defesa com a volta do brasileiro ao time. Ainda bem que, dessa vez, a dor de cabeça é por um bom motivo.

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