Renegados: Uma análise além dos números

Sem espaço com Lampard, jogadores ressurgiram com a chegada de Thomas Tuchel

Por João Paulo Pires
Quando Thomas Tuchel assumiu o comando técnico do Chelsea após a demissão do ídolo Frank Lampard, um dos principais receios dos torcedores Blues de todos os cantos do mundo foi a moral que jogadores mal quistos receberiam. Kepa, Rüdiger, Alonso e Jorginho encabeçavam a lista de atletas que ninguém queria ver em campo, nem pintados de ouro.

O que aconteceu na primeira partida do alemão como treinador do Chelsea? Os três últimos citados anteriormente foram escalados como titulares e o que antes era receio, virou um medo cego, como se fosse algo garantido daqui para frente.


“Mount nunca mais entrará em campo”, “A base do Chelsea já pode pensar em procurar outros ares, pois não vão jogar” “Quem manda no clube são os medalhões e temos que aceitar” foram algumas das frases que vi muito no Twitter no pós-jogo contra o Wolverhampton, naquele 0 a 0 que marcou a primeira partida do Tuchel no comando do Chelsea.


Foto via Getty Images


Tudo na vida é equilíbrio e, para cada alma desacreditada, também havia uma esperançosa, que entende que aquela partida foi atípica, visto que o novo treinador teve menos de 24 horas para preparar a equipe e fez o que QUALQUER UM NO MUNDO (literalmente, qualquer um) faria: contar com a experiência.


Passados alguns meses, todo mundo entendeu e vida que segue, certo? Errado.


Muita birra ainda prevaleceu na timeline com a manutenção de jogadores como Rüdiger nos XI titulares. Embora hoje seja muito fácil falar, visto que o alemão está jogando de forma monstruosa jogo sim, jogo também, sempre defendi que com um novo comando, todo o plantel ganharia um ‘perdão presidencial’ e passaria a ter chances iguais.


Alonso também foi um caso parecido. Odiado por todos principalmente após o episódio com Lampard (onde o espanhol saiu no intervalo, foi direto para o ônibus do time e não acompanhou o final da partida) e com péssimas partidas como lateral esquerdo, renasceu sob o comando do Tuchel, mas não foi simplesmente porque ele odeia a base e ‘dá moral para v*gabundo’ como muitos pensam, e sim porque o esquema MUDOU.


Tuchel tinha um plano


Sim, amigos. Tuchel tinha um plano sobre o que fazer com esse elenco e FEZ. Algo que já não víamos mais com Lampard, pudemos perceber logo nas primeiras semanas com o ex-PSG. E convenhamos, Alonso de ALA ESQUERDA é um dos melhores, não à toa tem quase 30 (trinta!) gols com a camisa do Chelsea, número que muita gente esquece.


Seguindo o ‘medo’ da torcida, temos Jorginho, que vinha de atuações questionáveis e com o futuro praticamente selado longe de Londres. Porém com Tuchel, Jorginho passou a ter uma missão clara de jogo: soltar a bola rápido, com progressão rápida e posicionamento mais compacto sem a bola. E meus amigos, não sei vocês, mas a meu ver Jorginho vs. Liverpool e Everton foi algo fora de série. Um verdadeiro case para ser estudado por quem é fã da meia-cancha.


Foto via Getty Images


A reflexão que quero levantar com esse texto é que Mount continua sendo nosso Player of The Year. Hudson-Odoi segue tendo inúmeras chances. Kanté não foi jogado para escanteio e Chilwell não foi descartado entre os XI iniciais. Thomas Tuchel não é louco, ele sabe o valor do nosso elenco e o que nossos jogadores podem entregar. 


A prova disso é o Havertz que está voltando a encher nossos olhos, Werner se reinventando e fazendo a gente lembrar que ele pode entregar muito além do gol e Kovacic que vem sendo um pilar absurdo no meio.


Porém temos que entender também que os atletas que outrora detestávamos (muitas vezes com razão), estão entregando muito mais do que o feijão com arroz. Estão fazendo a diferença. Rüdiger está com os bolsos da calça pesados de carregar Suárez (por 180 minutos) e Richarlison, Alonso está gerando muito volume no setor de ataque pelo lado esquerdo e elevando o nível de competitividade da posição, desafiando Chilwell a melhorar e Jorginho nesse momento está sendo estudado pelos times de Liverpool depois daquelas masterclasses que citei. Até nosso grandíssimo Kepa está com a confiança em dia depois de alguns clean sheets.


Vislumbrando um futuro


O ‘receio’ que eu citei no início do texto foi válido. Já o ‘medo’ que mencionei na sequência, não. Era muito claro que existia um plano, só não viu quem não quis.


Sei que é difícil, mas o futebol (assim como a vida) é feita de ciclos. Está na hora de desapegar do passado e olhar para frente.


> Chega ao fim a 'maldição das oitavas'


Curtam a sequência invicta, apreciem o excelente trabalho que vem sendo feito e desfrutem da a reta final de temporada. Porque se antes o objetivo era único e exclusivamente parar de perder e ficar entre os quatro melhores na Premier League, agora é o vice-campeonato, a FA Cup e, por que não, a UEFA Champions League.

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