O caminho do Chelsea até a final da Champions League

Como o Chelsea se reinventou após a troca de treinador de chegou a uma final improvável

Por Allan Pedro Bastos
Pode se orgulhar, torcedor blue: o Chelsea venceu o Real Madrid por 2 a 0 na partida de volta das semifinais da UEFA Champions League 2020/21 e garantiu vaga na grande final de Istambul. O adversário será o Manchester City, de Pep Guardiola, que fará sua estreia em finais europeias, enquanto está será a terceira aparição do clube de Stamford Bridge. Em 2008, após empate no tempo regulamentar e na prorrogação, saímos de Moscou com o vice-campeonato, tendo o Manchester United se sagrado campeão naquela oportunidade. Em 2012, a glória eterna para Cech, Terry, Ashley Cole, Lampard, Drogba e companhia, ao derrotar nas penalidades o franco favorito Bayern de Munique, novamente após igualdade nos 120 minutos.

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O caminho do Chelsea na atual edição da Champions é dividido, claramente, em dois momentos: o primeiro, a fase de grupos, ainda com a equipe dirigida por Frank Lampard, e o segundo, o mata-mata, já sob o comando de Thomas Tuchel. Vamos analisar cada um deles, os pontos fortes e fracos e entender como chegamos até a final, que será disputada em Istambul, na Turquia, no próximo dia 29/05/2021.

A Fase de grupos

Os Blues foram cabeça de chave no grupo E e é possível afirmar que o sorteio até foi generoso conosco. O Sevilha seria, sem dúvidas, o adversário mais complicado, uma vez que as duas outras equipes, Krasnodar (Rússia) e Rennes (França) faziam sua estreia em grupos da Champions. Como esperado, o Chelsea não teve dificuldades para se classificar em primeiro lugar, com 4 vitórias (2 sobre o Rennes, 1 sobre o Sevilha e 1 sobre o Krasnodar) e 2 empates (Sevilha e Krasnodar), totalizando 14 pontos. O ponto alto foi a vitória por 4 a 0 sobre os espanhóis, na casa do adversário, em que Giroud brilhou e marcou todos os gols do jogo.

O último confronto foi dia 08/12/2020, contra o Krasnodar, em Stamford Bridge e marcou o início de uma sequência de resultados negativos que culminou com a demissão de Frank Lampard, em fins de janeiro de 2021. Até aqui, o trabalho era bem avaliado e a expectativa era de alcançar, no mínimo, as quartas de final do torneio, o que daria maior experiência ao jovem elenco e ao próprio treinador.

O mata-mata

Em 26/01/2021, Thomas Tuchel foi nomeado o novo treinador do Chelsea, substituindo Frank Lampard em um momento de maus resultados e pressão crescente sobre o ídolo, que não conseguia fazer o desempenho de sua equipe deslanchar em campo. O Alemão chegou sob muita desconfiança, primeiro por conta de toda a identificação de Frank com a torcida e com o clube, e segundo porque havia dúvidas se ele era bom o bastante para o cargo. E se tem algo que ele tem feito desde que chegou é provar que os que duvidaram estavam completamente equivocados.

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Tuchel corrigiu de uma vez por todas os problemas defensivos com uma linha de 3 atrás, resgatou o bom futebol de figuras questionáveis como Christensen, Rüdiger e Jorginho, e cumpriu a promessa que fez em sua chegada, de "construir um time contra quem ninguém iria querer jogar". Pela Champions, vitória em ambos os jogos das oitavas de final contra o Atlético de Madrid (1 a 0 na ida e 2-0 em Stamford Bridge), vitória por 2 a 1 no resultado agregado contra o Porto, pelas quartas de final (2 a 0 na ida para o Chelsea, 1 a 0 para o Porto na volta, ambas as partidas disputadas em Sevilha) e empate e vitória nas semifinais contra o 13 vezes campeão Real Madrid (1 a 1 na ida em Madrid, 2 a 0 na volta em Londres).

O que esperar da final?

Um jogo franco, de duas equipes e dois treinadores com propostas diferentes, mas que sabem exatamente o que fazer com e sem a bola. O time de Guardiola gosta de ter a posse e o controle do jogo a partir do meio campo, mas sabe ser decisivo e letal nos contra golpes. Com um esquema tático diferente, mas seguindo uma proposta similar, o time de Thomas Tuchel é a grande surpresa da final, mas isso não quer dizer que não tenha chegado lá por seus méritos. Para vencer, o Chelsea precisará, mais do que nunca, se apoiar em sua solidez defensiva habitual, mas também precisará aprimorar sua finalização e não perder tantas oportunidades, como no jogo de volta contra o Real Madrid.

O favoritismo fica ligeiramente pendente para o lado dos Citizens, pelo tempo do trabalho de Pep e por ter um time ajustado há mais tempo. Pesa contra os Blues, ainda, o fato de a briga pelo Top4 na Premier League estar aberto e termos uma das agendas mais difíceis, com confrontos contra o próprio Manchester City, o Arsenal, o Leicester e o Aston Villa, enquanto Guardiola e companhia podem ser campeões já nas próximas rodadas, o que lhes permitiria rotacionar mais o elenco e chegar com os titulares em suas melhores condições. Seja como for, o elenco do Chelsea é para competir (e ganhar) todas as competições que disputa, e acredito firmemente que o alemão saberá dosar e motivar seus atletas, sobretudo os que não vêm atuando com muita regularidade.

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