“Saio com um sentimento geral de orgulho do que fiz”, revela Lampard em entrevista

Demitido em janeiro, Lampard falou sobre a sua passagem pelos Blues

Por Tim Langendorf
Condecorado com o Hall da Fama da Premier League nesta quarta-feira (19), a lenda dos Blues e treinador da equipe até o meio da atual temporada, Frank Lampard deu longa entrevista para Matt Law e o Telegraph, onde falou sobre sua passagem por Stamford Bridge, seu futuro e Thomas Tuchel.

A demissão

“Devo admitir que perder seu emprego é difícil” disse Frank. “Qualquer um que diga algo diferente está mentindo. Não é verdade. Há o elemento do orgulho próprio, você está trabalhando em direção de algo que é tirado de você. É vida. Temos que ser realistas”.

(Foto: DANIEL LEAL-OLIVAS / AFP)

“Você precisa baixar a poeira rapidamente, e no meu caso, vivendo a poucos quilômetros do estádio, caminho por aí e encontro torcedores o tempo todo. Você se pergunta qual vai ser a reação deles, porque você perdeu seu emprego, eles ficaram felizes com o que você fez ou não? E acho que me fez perceber ainda mais: a ligação que tenho com eles pelos meus tempos de jogador, mas também o que eles viram, o que eu estava trabalhando para conseguir (como treinador) na primeira temporada, até o ponto que saí na segunda. Eu estava trabalhando e envisionando algo porque me importo com o clube.”

“Não teria ido para o clube sem total compreensão que em algum momento eu poderia sair por diversas circunstâncias. Não entrei nisso apenas com o coração, querendo voltar ao Chelsea depois de um ano treinando o Derby. Fui com a cabeça, e ciente de que era uma grande oportunidade. Duraria para sempre? A história nos diz que provavelmente não”.

“Fiz minha paz com o fato de que minha carreira como treinador segue adiante, e o mais bonito é que estive no clube que amo, que joguei por tanto tempo e que ainda tenho conexões muito fortes”.

Hall da Fama

Desde sua saída em janeiro, Lampard aproveitou o tempo para curtir sua família, que em março recebeu a adição de mais um filho, Freddie. Mas a recente inclusão no recém criado Hall da Fama da Premier League trouxe de volta memórias de seus grandes momentos como jogador.

“Me foco muito no que está à frente e raramente paro para rememorar o passado, mas é uma honra (estar no Hall da Fama) e isso me dá um certo orgulho pessoal. Um prêmio como esse me faz relembrar momentos do início de minha carreira e pessoas que deveria agradecer por me ajudar nessa escalada. Eu era muito dedicado e tinha um relativo talento, que eu meio que maximizei, mas isso não seria nada sem Harry Redknapp no West Ham, Claudio Ranieri que me levou ao Chelsea e José Mourinho me levando a outro nível… eu poderia seguir por horas”.


“Quando criança, eu geralmente era o segundo ou terceiro melhor de todos times que joguei. Então, sempre tive o sentimento de que precisava fazer mais para chegar onde queria. Acredito que isso me deu força, mas eu também tinha um forte entendimento das coisas que podia melhorar e fazer para me maximizar como meio campista. Olho pra trás e digo ‘Eu não era o mais rápido, não era o mais habilidoso e essas coisas, então eu devo ter tido alguma coisa’. E acho que minha ética de trabalho e minha compreensão do jogo eram os dois maiores pontos fortes.”

Experiência

Desde a saída do Chelsea, houveram sugestões, inclusive do meia Jorginho, de que o trabalho na equipe veio cedo demais para ele, mas Frank insiste que a idade e a experiência não teriam mudado muito a situação.

“É fato que sempre que um treinador deixa um clube, haverão jogadores que não jogaram tanto e eles podem ficar com o sentimento ou julgamento sobre seu trabalho, e podem fazer declarações”, disse Lampard. “Tenho que estar ciente disso, bem como estar ciente das boas declarações de jogadores contentes com o trabalho. Não vejo grandes problemas nisso.”

Reprodução

“Vi algumas declarações de que Frank Lampard aceitou este emprego com seu coração. Absolutamente não. Não tomo nenhuma decisão profissional com meu coração. Minha visão foi pragmática, ‘Vou do Derby para o Chelsea’. Poucos treinadores recusariam isso, sejamos sinceros.”

“Se eu chegasse ao Chelsea com 55 anos de idade, com títulos, eu acredito que as regras seriam as mesmas. Há uma expectativa para performar e vencer, caso contrário você deve deixar o clube. Fui sabendo o quanto eu queria ser treinador. Após meu ano no Derby, era claro pra mim que queria ir para o Chelsea, fazê-los mover a bola mais rapidamente, penetrar as linhas mais rápido. Queria fazer do meu jeito e tentar trazer alguns jovens jogadores para o time. Eu fiz isso. Não cheguei ao final, mas certamente fiz algumas muitas coisas da qual posso me orgulhar.”

“Há detalhes que eu revisaria, onde eu poderia ter feito certas coisas de forma diferente. É importante analisar a si mesmo e pensar sobre como você pode mudar no futuro. Saio com um sentimento geral de orgulho do que fiz. Queria ter ficado mais tempo, com um sucesso realmente tangível que, no Chelsea, é vencer copas e vencer ligas, mas não aconteceu. De onde peguei o time, espero que tenha criado uma fundação forte para o futuro. E, dentro do contexto que queria que minha carreira como técnico seguisse, foi uma experiência incrível.”

Futuro

Um dos casos mais parecidos com Lampard, como treinador, seja talvez Brendan Rodgers, que assumiu o Liverpool após bom início no Swansea, mas precisou dar um ‘passo atrás’ em sua carreira até retomar o sucesso com o Leicester. E o ex-auxiliar do Chelsea foi um dos técnicos que trocou mensagens com Frank nos últimos meses.

“Falei com Brendan mais ou menos um mês depois que deixei o Chelsea. Ele me deu umas palavras de sabedoria bem reais, pois nossos caminhos foram bem parecidos. Acho que Brendan é um grande exemplo. Ele foi para o Celtic, teve um grande sucesso lá e agora o que ele faz no Leicester é muito visível. Ele se destaca. Stevie (Gerrard) foi para o Rangers e agora mostrou que quando você tem apoio, suporte e é ótimo no que faz, então você pode ter grande sucesso.”

“Temas comuns entre os técnicos são a estrutura, o modelo e o momento do lugar em que você está. É preciso levar tudo isso em consideração, mas espero ter essas oportunidades pela frente. Não vou apressar nada, mas se a oportunidade aparecer, e for a certa, quero trabalhar de novo. É algo que amo fazer, eu amo treinar, mais do que achei que amaria.”

Tuchel

O atual treinador dos Blues revelou em sua primeira coletiva no clube que Lampard havia lhe enviado uma mensagem de boa sorte. Nas últimas semanas, o alemão reconheceu publicamente o papel de Lampard nas campanhas do Chelsea nessa temporada, tanto nas finais de FA Cup quanto de Champions League.

"Simplesmente senti que era a coisa certa a se fazer (a mensagem). “Acredito que com o amadurecimento, você aprende que as coisas vão mudar ao seu redor. E para mim, a única forma de se ter sucesso a longo prazo e fazer as coisas corretamente é agir de forma correta, mostrando às pessoas o devido respeito. Eu nunca o encontrei, mas a coisa certa a fazer era desejar a ele sorte com o clube pelo qual joguei por tanto tempo e que até então treinava.”

“Ele é obviamente um treinador de altíssimo nível e apreciei suas palavras semana passada. Fiquei feliz de ouvi-las porque acredito que foram certas. Não estou apenas me dando créditos. Mas, se estivesse na situação dele, eu certamente diria o mesmo. Ele está me dando os créditos pela primeira metade da temporada e eu dou os créditos à ele por ter assumido a partir dali, ter chego em duas finais e estar lutando por uma vaga no Top 4. Eu ficaria feliz de conhecê-lo, mas ele está bem mais ocupado que no momento, então vou deixá-lo em paz pelas próximas duas semanas!”

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