Análise: os movimentos ofensivos e defensivos do Chelsea de Tuchel

Com outro esquema e forma de jogar, Thomas Tuchel surpreendeu e conseguiu implementar a sua filosofia rapidamente

Por Bruno Bourguignon
Tuchel chegou ao Chelsea com a responsabilidade de potencializar ao máximo o elenco, tendo que recuperar o bom futebol e a confiança para um final de temporada tranquilo, de uma forma bem inteligente, iniciou essa “potencialização” usando uma forma de jogar que os mais experientes já eram habituados, o 3-4-3.

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A última linha do Chelsea nas primeiras partidas com Tuchel no comando teve Azpilicueta, Rudiger e Marcos Alonso que já eram acostumados com essa forma de jogar no próprio Chelsea com o Conte e o Thiago Silva no PSG com o Tuchel também jogava assim. Aproveitando essa memória, Tuchel começou as mudanças logo de cara, fazendo a equipe ir ganhando corpo dentro das próprias partidas devido ao pouco tempo de treino e a rapidez que deveria ter para encontrar o modelo de jogo.

Com um elenco tendo jogadores muitos jovens e alguns recém-chegados ao clube, Tuchel teve uma estratégia para ir preparando esses ao modelo, colocando de início jogadores mais experientes para ir aos poucos nos treinamentos aperfeiçoando esses outros para o momento “certo” de entrar na equipe, Giroud e Marcos Alonso são exemplos nítidos desse processo, servindo de base no início e depois perdendo espaço para Chilwell e Havertz.


Passado todo esse contexto, Tuchel conseguiu passar de forma rápida a sua forma de jogar e os comportamentos foram bem assimilados pelos jogadores, sendo muito adaptável levando o que cada partida “pedia”, sabendo se comportar em bloco alto, médio ou baixo, com maior ou menor posse, perdendo ou ganhando a partida, esse modelo de jogo do Tuchel potencializou as características do time coletivamente.


O Chelsea inicia a saída de bola no 3-2 (3 zagueiros e dois meias), os 3 zagueiros bem abertos para a ocupação dos espaços e os dois meias sempre posicionados para receber o passe.

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Os alas também eram ativos nesse momento, abrindo o campo e gerando espaços e em muitos momentos fazendo o apoio no lado da bola na saída, enquanto o ala do lado oposto andava para atacar a defesa adversária.

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A equipe tem muita paciência para escolher o melhor momento para passar a bola para os meias, após conseguir esse passe a intenção é acelerar aproveitando a mobilidade dos jogadores de frente.

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A mobilidade dos jogadores de frente é muito importante para causar desequilíbrios na defesa adversária, fazendo criar espaços nas costas para serem atacados, para gerar esses desequilíbrios e deixar esses espaços, uma linha de cinco na frente com os três atacantes e os alas espaçavam a defesa adversária e facilitavam essa mobilidade.

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Com isso, muitos gols saíram desse espaço gerado nas costas dos defensores, que eram muito bem aproveitados por Werner, Havertz, Pulisic.

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Outra movimentação importante dos atacantes é quando a equipe recupera a bola, dando opções para o passe vertical com apoios frontais (pivô), isso faz com que a equipe consiga sair da pressão e progredir no campo de imediato.

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No momento de se defender a equipe também tem comportamentos nítidos, defendendo no 5-2-3 de forma bem compacta e com movimentações coordenadas para fechar os espaços em largura e profundidade, com os atacantes fazendo a contenção e induzindo os adversários, os meias e os zagueiros esperando o momento certo de subir ou fechar os espaços, com um balanço defensivo quase que perfeito em inúmeras partidas.

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Apesar de ser bem definido, esse 5-2-3 não é fechado ou estático, sendo de tremenda importância a leitura dos jogadores nos diversos momentos da partida, para que as “compensações” da equipe funcionem perfeitamente.

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O Chelsea pressiona bastante o adversário, sempre tentando colocar em constrangimento de epaço/tempo, seja para recuperar a bola ou impedir do adversário progredir com a bola, mostrando sempre a importância do envolvimento de todos para o sucesso ofensivo e defensivo da equipe.

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Como vimos acima, o processo curto e de sucesso de Tuchel se deve a diversos fatores, da utilização inteligente dos jogadores até a forma adaptável da sua forma de jogar, fazendo os jogadores assimilarem rapidamente os comportamentos e dinâmicas da equipe.

Thomas Tuchel é um treinador que entende que o jogo é caótico, onde o equilíbrio e desequilíbrio andam lado a lado, sendo importante para o desenvolvimento do modelo de jogo e para uma equipe com jogadores inteligentes.

Com um tempo maior de trabalho e chegada de algumas peças pontuais, o futuro do Chelsea é bem promissor e veremos ainda mais a equipe com a “cara” do treinador.

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