Como o Chelsea venceu o Manchester City?

Chelsea foi campeão da Champions League há uma semana, e o Blues Of Stamford analisa taticamente a partida

Por Henrique Silva, Porto
Há uma semana, Chelsea e Manchester City se enfrentaram num encontro histórico em Portugal, pela final da Liga dos Campeões da UEFA.

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Pep Guardiola surpreendeu em não trazer qualquer volante e em não ter um centroavante fixo, com Gundogan como primeiro homem de meio campo e De Bruyne jogando como falso 9, respectivamente. Já Thomas Tuchel não inventou e trouxe, na teoria, a melhor escalação possível.

Análise

O Chelsea, em construção, como habitualmente, procurava colocar o ala do lado oposto da bola e o ponta do lado da bola a dar largura ao ataque londrino. Muitas vezes, vimos Reece James em apoio a Azpilicueta quando estava com a posse, com Havertz “preso” na ala.

Cedo deu para entender o que o Chelsea vinha fazer ao jogo. Na 1ª fase de construção, Tuchel procurou colocar os 3 zagueiros e Jorginho, por vezes com Kanté baixando também, de modo a atingir a superioridade numérica. Com isto, atraem os meias do time de Manchester para ligar jogo mais diretamente entre a zaga e o ataque, abrindo mais espaço nas costas dos meias do Manchester City

Na primeira metade do jogo, o Chelsea procurou várias vezes a profundidade, acionando Timo Werner, enquanto Havertz e Mount ficavam flutuando entre as linhas defensiva e média do City. Por vezes, o Chelsea projetava ambos os alas, principalmente Chilwell, para atacarem a profundidade com passes da zaga.

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Com estes movimentos dos atacantes, por vezes o centro avante procurava arrastar a marcação do zagueiro adversário e criar espaço para um companheiro. É assim, inclusive, que surge o gol único da partida.

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Defensivamente, na primeira parte do jogo, o Chelsea foi muito coeso. Principalmente na formação de 5-2-3 sem bola, o técnico alemão apostou em perseguições dos zagueiros quando os meias do City baixavam para tentar participar do jogo. Com estes movimentos dos zagueiros, os adversários encontraram muitas dificuldades, sendo obrigados a soltar rapidamente a bola. Esta estratégia dos Blues incomodou muito o City ao longo da partida.

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Quando o City tentava sair jogando, o Chelsea não apostou numa pressão muito intensa, porém quando um dos atacantes pressionava quem estava com a bola, os outros dois pressionavam possíveis linhas de passe para impedi-los de receber em condições.

O time de Londres esteve, na primeira parte, sempre compacto, sem deixar abrir muitos espaços com as corridas e tentativas de se desmarcar do City, sendo raras as oportunidades do time de Guardiola. Porém, com o gol de Kai Havertz, algumas dinâmicas dos dois times mudaram na segunda metade da partida. Com bola, as intenções do Chelsea mudaram.

Em vantagem, Tuchel procurou reter mais a posse, gerindo assim a vantagem de 1-0. Uma das consequências foi vista em Timo Werner. Em vez de procurar a profundidade como na primeira parte, vimos o alemão apoiando cada vez mais aos colegas de time de costas para o gol e, por vezes, atuando como uma espécie de pivô, segurando a bola na frente e buscando encontrar alguém desmarcado. Já sem bola, os Blues compactaram ainda mais a linha do meio-campo com a linha defensiva, impedindo o Man. City de criar jogadas por dentro, obrigando-os a lateralizar o jogo e a jogar para o “chuveirinho”, sem muitas mais opções. Isto obrigou ao desespero do adversário, que despejou bolas sem sentido na área londrina, facilitando assim o trabalho da nossa zaga.

AS MUDANÇAS

Nas substituições estratégicas, Thomas Tuchel não falhou. A entrada de Christian Pulisic no lugar de Timo Werner teve, a meu ver, dois motivos. Por um lado, Pulisic é um desequilibrador, seja com o drible, seja com a velocidade. Entrou com energia para (tentar) ferir o Manchester City em contra ataque, como vimos na melhor oportunidade do time na segunda metade. Por outro lado, o americano define e executa muito melhor que o alemão, no último terço do campo.

Já na entrada de Kovacic por Mason Mount, o técnico procurou refrescar e, acima de tudo, reforçar o meio campo. Como Mount pisa em terrenos mais avançados, a entrada do croata contribuiu para o objetivo da segunda parte, manter a posse o maior tempo possível.

Com estas trocas, o Chelsea passou de uma formação defensiva de 5-2-3 para 5-3-2 e, por vezes, 5-4-1, descendo Pulisic para a linha do meio campo. As perseguições no fim do jogo continuaram e, como já dito anteriormente, o City desesperado só tentou causar perigo com cruzamentos longos e pouco pensados.

A turma de Thomas Tuchel conseguiu assim bater o campeão inglês, como já havia feito nos dois jogos anteriores. Foi um confronto com bastante emoção e, acima de tudo, estratégia, no qual o alemão foi Garry Kasparov e o espanhol foi Veselin Topalov.

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