O dia que troquei o grito pelo choro

Por João Paulo Pires
Dezesseis, vinte, vinte e nove. Essas eram minhas idades nas finais de 2008, 2012 e 2021.

Engraçado que, cada jogo desses foi uma história completamente diferente.

Na Rússia, ainda moleque, assisti o jogo no telefone com uma amiga, que me falou que estava ganho quando Terry partiu para o pênalti decisivo. Acreditei e me enchi de esperança. Deu no que deu.

Manu Fernandez / Associated Press

Confesso que depois disso, nunca mais consegui encarnar o “já ganhou”, mesmo quando a situação mostra que esse será o caminho.

Em 2012, recém morando fora do país, com poucos amigos, assisti sozinho e fui do céu ao inferno com Drogba. Da cabeçada mais importante da história do Chelsea até o pênalti cometido em Robben. Mas nosso goleiro era Petr Cech e, quem tem goleiro, tem tudo.

O título veio e entra um berro e outro, precisei sair de casa para correr, sentar em algum lugar, comemorar, ver vídeos, entender o que tinha acontecido.

Só quem é das antigas sabe o que 2012 foi.

Nunca gritei tanto na vida.

Nove anos depois, entre um título de Europa League e outro, entre uma eliminação na Champions League e outra, voltamos.


Mas agora, não gritei. Não conseguia nem pular.

42 minutos, Kai Havertz. 1 a 0.

Ajoelhei, cobri o rosto e desabei. Não consegui controlar.

Pai, eu tinha 20 anos...”, comentei aos prantos com o meu pai que estava ao meu lado e disse: “rapaz, que golaço, hein?”. Ele sentiu o que senti, mesmo não sendo um assíduo seguidor do esporte.

Só conseguia pensar que estava há 45 minutos de sentir aquilo de novo.

Mas não senti.

Apito final. Chelsea campeão da UEFA Champions League 2020/2021.

Novamente não consegui gritar, sair de casa para correr, nada.

Os gritos deram lugar ao choro, emoção, desabafo.

Sabia que 2012 era tudo ou nada para os maiores senadores da história do Chelsea. Ou era aquela taça, ou não era. Os gritos foram de alívio de saber que meus maiores ídolos seriam para sempre coroados e conectados entre si com aquela orelhuda.

Mas agora, 29 de maio de 2021, eu sei que é só o início. A tal “final que era para vir daqui 2 ou 3 anos”, veio agora. E esse elenco, novo, em formação, conquistou.

Desculpe, mas se você não se emocionou, você não entendeu.

Ver Mason Mount, o cara dessa temporada, levar de 7 do Bayern no ano passado, dizer que queria "jogar como eles” e, um ano depois, conquistar a Champions League, representa perfeitamente a emoção. O choro. O título.

Esse time merece demais. Não foi na raça, no “saber sofrer”. Foi na bola. No futebol. No famigerado “jogo jogado”.

Mas agora, elenco do Chelsea Football Club, vocês não são mais aspirantes, são campeões. Campeões europeus. 

Chega de chorar. Agora quero é gritar: "CAMPEONES, CAMPEONES, OLE OLE OLE”.

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