Jorginho: de contestado a melhor da Europa

Volante comandou Azzurra e foi da água para o vinho pelos Blues

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Por @henrique96silva 

Jorge Luiz Frello Filho. 

Esse é o nome do melhor jogador da Europa na passada temporada. O volante que chegou para a temporada 2018/19 teve um primeiro ano caricato sob Sarri, porém finalmente cimentou o seu nome como um dos melhores jogadores da Europa e do mundo. As apresentações que teve na Premier League, na Champions League e na Eurocopa foram simplesmente notáveis.

Jorginho sob Lampard vs Jorginho sob Tuchel

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O Chelsea de Lampard jogava numa formação de quatro defensores, normalmente 4-2-3-1 com duplo pivô de Kanté e Jorginho e Mount como meia. Com Lampard, Jorginho ficou mais longe de zonas ofensivas.

Como os laterais subiam na primeira fase de construção, para obter superioridade numérica atrás, Jorginho descia e colocava-se na linha da zaga, e assim o Chelsea sair jogando com 3 homens. Com a zaga de quatro jogadores e o modo como o Chelsea atacava, o time ficava também mais exposto defensivamente e o meio-campo, principalmente na ausência de N’Golo Kanté, sofria demais para recuperar a bola.


Jorginho sob o comando do inglês ficava fisicamente exposto, com menor proteção da zaga e em mais situações 1 vs 1 contra adversários. Tendo em conta que o time era muito vertical, na altura da descida quando se perdia a bola, a equipe ficava mais “partida” e Jorginho tinha mais dificuldades em acompanhar o jogo. Tirou Jorginho fora da sua “piscina”, que era ter a bola e gerir o jogo em posse dela.

Com a entrada de Thomas Tuchel no comando do time, chegou o 3-5-2/3-4-3. Defensivamente estavam presentes mais jogadores e o time começou a pressionar bem mais o adversário, tentando impedir sequer o adversário de criar chances e arrematar à gol. Ou seja, com esta formação e o modelo do alemão, o Chelsea passou a ser muito mais sólido a nível defensivo, deixando assim Jorginho e o seu companheiro no meio-campo bem mais protegidos, sendo que todos pressionam juntos, como um time.

Além do mais, o Chelsea sob Tuchel privilegia muito mais a posse de bola, foram poucos os jogos em que é o time com menos bola na partida. Deste modo, se tem mais tempo a bola, fica menos tempo sem ela, oferecendo mais liberdade aos jogadores e menos responsabilidade defensiva, principalmente a Jorginho que é como um peixe dentro da água quando tem liberdade para ditar os tempos do jogo do Chelsea sendo o “arquiteto” do meio-campo. 

Estabeleceu uma nova parceria com Mateo Kovačić que ajuda muito na saída de bola e quando é preciso levar a bola para o ataque. Com o técnico alemão, o Chelsea adotou uma saída de bola 3-2, ou seja, com três zagueiros e os dois volantes de modo a estabelecer uma vantagem numérica atrás. Caso o adversário pressione mais alto, abre espaço entrelinhas, e, deste modo, Mount e Havertz têm condições de receber passes verticais a partir do meio-campo ou de um zagueiro. Com a mudança de técnico, veio uma mudança no modelo do mesmo também. O Chelsea de Lampard era muito mais vertical que o time atual (provavelmente consequência de como era Lampard enquanto jogador e “discípulo” de José Mourinho). 

Jogadores como Jorginho se beneficiaram com a entrada do alemão e levaram o seu rendimento para um outro nível. Sob o comando de Tuchel, fez lembrar um pouco dos tempos com Sarri. A função é bastante semelhante, é uma espécie de segundo técnico em campo, sempre a dar indicações aos colegas e a decidir por onde canalizar o jogo. Porém conseguiu elevar o seu jogo para um outro nível, neste caso, na Liga dos Campeões. Fez o que costuma fazer de melhor, no mais alto nível, e o Chelsea venceu o título mais prestigiado da Europa.

Jorginho na Eurocopa

Sportslumo

Na Itália, Jorginho foi o general do meio-campo e do time inteiro. Encaixou como uma luva no trio com Nicolò Barella e Marco Verratti, por vezes Manuel Locatelli.

Sempre certeiro em relação a onde colocar a bola, em termos posicionais bem defensivamente, prova que não é preciso correr muito para correr bem. Foi um dos destaques da Eurocopa e esteve como um peixe dentro de água. Exatamente por fazer aquilo que mais gosta que é controlar a bola e ditar o jogo. A Itália foi geralmente a seleção que mais tinha a bola, excetuando no jogo com a Espanha (30%-70%), que inclusive foi o jogo em que tiveram mais dificuldade no torneio inteiro, e contra a Suiça, mas com posse de bola bem mais equilibrada (49%-51%), e puderam controlar o jogo da mesma forma.

Foi protagonista no Chelsea, consistente na Champions League e na Premier League, e foi também protagonista na Itália campeã da Europa. Aí não tinha outro vencedor possível para o prémio de Melhor Jogador da Europa que não Jorge Luiz Frello Filho. 


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