Por que a debandada de jovens não é, necessariamente, o fim do mundo para o Chelsea

Tino Livramento, Marc Guehi e Lewis Bate foram os principais jovens da base do Chelsea que deixaram o clube neste verão

Quando o assunto é categorias de base, o debate sempre tende a ficar acalorado entre os torcedores, sejam os brasileiros, sejam os gringos. A verdade é que, de um modo geral, todos queremos ver as promessas, muitos dos quais integram os quadros do Chelsea desde muito jovens, florescerem e brilharem no time principal, assim como muitos fizeram com títulos da FA Youth Cup, UEFA Youth League e outras conquistas. Entretanto, essa janela reservou uma profusão de saídas entre algumas das nossas maiores promessas, como Tino Livramento, Marc Guehi, Lewis Bate e Fikayo Tomori, às vezes por valores muito baixos. Mas isso não necessariamente é um grande problema e não devemos torná-lo maior do que ele realmente é.

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Em primeiro lugar, o Chelsea é um clube que entra em todas as competições para ser campeão. Nesse sentido, nada mais natural do que ser vinculado com alguns dos melhores jogadores do mundo. Nessa janela de transferências, Haaland (20), Declan Rice (21), Jules Koundé (22) e Lukaku (28) foram alguns dos principais nomes ventilados e, a exceção de Lukaku, todos os demais são jovens abaixo dos 23 anos. Por óbvio, a chegada de algum ou alguns deles restringiria o tempo de jogo daqueles criados em casa.

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Em segundo lugar, é preciso que levemos em consideração a vontade dos jogadores e como, aparentemente, eles querem tomar as rédeas de suas carreiras. O histórico do Chelsea com empréstimos de jovens não é dos mais favoráveis, tanto que a expressão "Loan Army" ("Exército de Emprestados", em tradução livre) se popularizou exatamente porque, temporada sim, temporada também, o número de jogadores em outras equipes da Europa, principalmente, beirava números absurdos - chegamos a ter quase 40 emprestados em uma temporada. Baseado nisso, é natural que nomes como Guehi e Livramento, por exemplo, busquem uma transferência permanente, com contrato longo e com condições melhores de se desenvolver.


Finalmente, em muitas dessas vendas, a direção incluiu cláusulas que assegurem, minimamente, uma preferência ao clube na recompra desses atletas, ainda que por valores muito acima do que os recebidos nesse momento, algo usual nesse tipo de negociação. Vale lembrar, nesse contexto, o caso de Nathan Aké, hoje no Manchester City, que já pertenceu ao Chelsea, foi vendido ao Bournemouth com a preferência de recompra, mas decidimos não igualar a proposta dos Citizens, à época. Não custa lembrar que o hype em torno do jovem era enorme, mas quantos, hoje, "se arrependem" por não tê-lo no elenco?

Nunca é demais ressaltar que nem todos os que passaram pela base serão potências do futebol inglês ou europeu. Longe de mim selar, a esta altura, o destino de jogadores de enorme potencial, como Guehi, Bate, Livramento, ou mesmo Conor Gallagher e Billy Gilmour, que partiram em empréstimo essa temporada. Espero que se tornem grande atletas e que, um dia, retornem para retomar de onde pararam suas histórias com a instituição. Só não podemos esquecer a forma como o Chelsea conduz seus negócios, que não é novidade para ninguém, e que as vontades dos jogadores sempre devem ser levadas em consideração.

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