O efeito Lukaku

Impacto do belga em apenas quatro jogos é inquestionável

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Por Arthur Macedo

A chegada de um centroavante no Chelsea como prioridade da janela de verão foi motivo de bastante discussão entre os torcedores dos blues. Muitos defendiam, eu inclusive, que o ataque do time de Tuchel precisava apenas de alguns ajustes, sendo o principal deles a pontaria. Esse ponto podia ser reforçado com estatísticas que apontavam que após a chegada do Tuchel o Chelsea foi o terceiro clube a acumular mais xG (expectativa de gol) na Premier League, ficando atrás apenas de Manchester City e Liverpool. Mas como no Chelsea quase nunca tudo são flores, apesar dessa marca expressiva o time marcou apenas 20 gols dos 29 que eram esperados; essa diferença entre xG e gols marcados foi a pior entre os vinte times da Premier League nesse período.


Além disso, o Chelsea foi apontado apenas como décimo quarto time com melhor conversão de chutes a gol na Premier League. De fato, muito pouco para um time que sonha com títulos grandes. Tudo apontava que a produção do ataque não era um problema muito grande e que as coisas poderiam caminhar para um caminho muito mais tranquilo com pequenos ajustes, sendo assim desnecessária uma contratação de peso para o setor ofensivo. Parecia, para muitos, que o mais interessante era investir em mais algum zagueiro ou um volante, que são posições mais carentes do elenco. 

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É aí que surge um tal de Romelu Lukaku e prova que todo mundo que via um reforço de peso no ataque como algo desnecessário estava redondamente enganado (eu mesmo nunca estive tão feliz em estar errado). Big Rom voltou a Stamford Bridge como a contratação mais cara da história do clube e precisou de pouquíssimo tempo para mostrar a importância de se ter um homem de referência à frente do ataque de um time vencedor; quinze minutos foram suficientes para ele balançar as redes pela primeira vez com a camisa do Chelsea. Apesar da amostragem pequena, ficou claro que algo muito especial estava se iniciando naquele derby no Emirates Stadium.


No seu segundo jogo as coisas foram mais complicadas, ainda mais após a expulsão de Reece James no final do primeiro tempo da partida em Anfield. Os últimos quarenta e cinco minutos de jogo foram de uma grande batalha para garantir o empate fora de casa e o jogo passou pouco por Lukaku, ainda que o belga tenha feito um jogo muito bom. 1x1 em Anfield jamais será mau resultado

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A casa caiu mesmo para aqueles que julgavam sua chegada como um luxo e não uma necessidade no jogo contra o Aston Villa, em Stamford Bridge. Foi um jogo apertado, onde o Chelsea teve dificuldades para encontrar espaços e criar boas chances, mas uma chance foi suficiente para que o camisa nove colocasse os blues em vantagem no placar. No segundo tempo, com a entrada de Jorginho, o time passou a controlar melhor o jogo e a cereja do bolo veio nos acréscimos: mais uma bola para Lukaku, mais um chute e mais um gol. 2 chances, 2 chutes a gol e 2 gols. Esses foram os números do centroavante no fim do jogo. Deu para queimar mais algumas línguas.


Três dias depois o Chelsea voltaria a campo para começar a defesa do título da Champions League. O nome do jogo? De novo ele, Lukaku. Zenit apresentou um futebol extremamente organizado e dificultou demais a vida do time de Tuchel. Mas quando a estrela de um jogador precisa brilhar, e não há palco melhor para isso do que um jogo de Champions League, ela encontra por onde. Cruzamento perfeito de Azpilicueta e testada firme de Lukaku para abrir o placar e definir o jogo. 1x0 Chelsea para garantir uma estreia com o pé direito (ou melhor, com a cabeça) na fase de grupos. Mais uma vez um jogo complicado que terminou com final feliz por ter em campo um camisa nove sendo decisivo.

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Em apenas quatro jogos Lukaku mostrou que era a peça que faltava no Chelsea e a sua presença já traz um brilho a mais ao campeão da Europa. Se há algumas semanas alguém dizia que sua vinda era desnecessária, hoje não deve existir uma pessoa capaz de dizer que o esforço realizado para ter ele de volta em Stamford Bridge não foi válido e certeiro. Jogo após jogo o camisa nove mostra a importância do investimento feito pelo clube e faz parecer que os 115 milhões de euros foram pouco. Depois de alguns períodos conturbados podemos dizer com tranquilidade: temos um centroavante de topo no time; e ele ainda é um blue como todos nós.  

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