Um dia em um bar de Turim

Chelsea e Juventus se enfrentaram poucas vezes na história

Por Gladson Rafael
Se alguém lhe perguntar qual a sua lembrança do confronto entre Chelsea e Juventus, sua resposta será o gol de Oscar na edição da Champions 2012, onde ele gira em cima de Pirlo e solta o pé na gaveta de Gigi Buffon, que a essa altura já deve ser o replay mais mostrado de todos os tempos nas redes sociais dos blues.

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No total, são 4 confrontos na história, uma vitória para cada lado e dois empates. Pouco se imaginarmos dois times que sempre estão em torneios internacionais. É mais fácil criar uma conexão entre os times pelos atletas que vestiram as duas camisas. Grandes nomes, diga-se;: Casiraghi, Anelka, Vialli, Higuaín, Didier Dechamps e ele...Álvaro Morata (que por lá vai bem).

Ambas as equipes são bicampeãs da Champions: 1985 e 1996 para a Juve, 2012 e 2021 para os Blues. A Juventus coleciona 7 vice-campeonatos da competição, sendo 5 deles acumulados nesses 25 anos pós o ultimo titulo. Se fizermos uma média sem escala científica alguma, o time dos Alpes perde uma final de UCL a cada 1825 dias. A competição se tornou uma espécie de calvário, um karma, algo que tira o sono daquela cidade, bem diferente do campeonato nacional, onde nada de braçadas e empilha canecos. 

Falando em canecos...

Quando lembro de Juventus automaticamente recordo de uma roda de bebidas em Turim. Não que eu seja fluente em italiano, tirando o ensino fundamental e em novelas da Rede Globo (Terra Nostra e Passione), toda minha experiência na língua irmã veio das conversas ébrias com meu amigo Giorgio Bonfantti. Ele, Nerazzurri fanático e frequentador da curva Norte do Giuseppe Meazza, e geralmente sempre tinha espaço no papo para que ele me contar o quanto detesta a Vecchia Signora. No "Italiani maccherone" a gente se entende, por sinal. 

Voltemos ao Piemonte. Lá estou eu, no auge do verão italiano, caminhando aproximadamente 23km entre visitar o Museu do Automóvel e três estádios: Filadelfia, Olímpico e o Novo Delle Alpi (Juventus Stadium), exaurido pelo sol e inebriado pelas edificações góticas vitorianas da cidade, percebo um bar aberto no bairro que me salvaria daquele calor. Férias no norte, cidade vazia, logo, pouca coisa aberta. Entro no recinto e vou direto ao balcão, um boteco charmoso parecia uma casa (deveria ser), peço uma cerveja e a senhora que atendia me pergunta se era para levar ou tomar ali, respondo que beberia ali.

Antes de terminar o primeiro caneco já me vejo gastando o meu " má que" e balançando as mãos com o gesto típico deles. Fiz amizade com três senhores que ali bebiam e praguejavam Massimiliano Allegri por recentemente ter levada aquele sonoro 4 a 1 do Real Madrid na final daquele ano. Enfim... papo vai, papo vem, até que Zaza (nome de um deles), sem mais argumentos para me explicar a maldição do time no torneio, profetisa algo que na hora confesso que ri bastante. "Nem que comprem aquele português maldito (Cristiano Ronaldo) esse time ganha esse catzo#*&$@# de novo", disse ele.

Mal sabia ele que estaria redondamente certo. Compraram o Ronaldo e não ganharam mesmo.

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Com o passar do tempo a gente aprende a ouvir a voz da experiência. Gostaria de saber como anda Zaza e seus amigos, certamente teriam coisas interessantes para me dizer, e já que não posso, imagino...

"Esse time da Juventus assusta menos que a seleção italiana de cantores. O Eros Ramazzotti joga mais que esse espanhol""

Acho que seria mais ou menos assim.

Vamos esperar para ver como o time do velho amigo irá se comportar contra o atual campeão europeu, que chega bem menos em finais, porém, quando chega...

Cheers!

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