O Chelsea Women perdeu o seu favoritismo?

O desempenho razoável na UEFA Women’s Champions League acende o questionamento sobre o time de Emma Hayes e as mudanças que a treinadora tem realizado na equipe

Por Alícia Soares
O atual campeão da FA Women’s Super League e vice-campeão da UEFA Women’s Champions League conta com grande expectativa para temporada 2021-22, entretanto, contou com algumas pedras no caminho. Uma derrota para o Arsenal e um empate para o Wolfsburg tiraram o seu 100% de aproveitamento e colocam uma pulga atrás da orelha dos aficionados. Ainda é início de temporada, porém alguns pontos devem ser questionados.

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A pandemia está afetando os times ingleses desde 2020, quando a FA encerrou o campeonato na 16ª rodada e deu o título para o Chelsea devido ao melhor rendimento na competição. Na temporada seguinte, um calendário extenso de jogos para poucos meses, mas que, apesar de tudo, trouxe a Liga Inglesa e a Copa da Liga. Na pré-temporada, o Chelsea não contou com 11 jogadoras do elenco, ausentes pela convocação de suas seleções para as Olimpíadas de Tóquio.

Além disso, o departamento médico está com duas peças importantes: Lauren James, irmã de Reece James e transferência mais cara do futebol feminino, com uma lesão não definida e não divulgada ao público, e Maren Mjelde, que está se recuperando e voltando aos treinamentos após uma lesão no ligamento cruzado anterior (LCA) do joelho. Ainda, Ann Katrin-Berger se lesionou nos acréscimos da partida contra a Juventus, porém a gravidade da pancada ainda não foi avaliada.

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Na temporada 2020-21, a equipe de Emma Hayes era estruturada em um 4-3-3, com duas laterais seguras - Jonna Andersson e Maren Mjelde - e as zagueiras Millie Bright e Magda Eriksson na defesa. Na necessidade, a volante Sophie Ingle poderia ser improvisada na defesa também. No meio campo, Melanie Leupolz, Ji So Yun e Erin Cuthbert/Guro Reiten - Ingle era utilizada em um jogo com mais marcação. No ataque, o trio Pernille Harder, Fran Kirby e Sam Kerr. Essa equipe foi responsável por 69 gols na liga e 21 gols na Champions.

Chelsea Women 2020-21. Foto: Chosen 11.

Essa equipe funcionou muito bem até a lesão de Maren Mjelde na final da Continental Tyres League Cup em maio. Com sua ausência, Niamh Charles assumiu a lateral direita de maneira improvisada e, a partir das semifinais da Champions, as laterais foram Jess Carter e Niamh Charles. A dupla funcionou na partida de volta histórica contra o Bayern, entretanto, na final contra o Barcelona, não obteve sucesso, e o Chelsea perdia por 3 a 0 já nos primeiros 20 minutos de partida.

Nesta temporada, Hayes decidiu mudar o esquema para uma espécie de 3-4-3, com três zagueiras - geralmente Carter, Bright e Eriksson - duas alas de velocidade - Cuthbert e Reiten - Leupolz e Ji no meio campo. No ataque, o trio que a gente já conhece, Harder - Kirby - Kerr. A equipe ganhou mais velocidade e mobilidade nas laterais, mas peca na criação no meio campo e na defesa, que já sofreu cinco gols na liga e quatro gols na Champions League.

O atual Chelsea Women. Foto: Chosen 11

O novo sistema permite que Reiten e Cuthbert tenham mais chances no plantel titular, além de Charles em posição mais próxima a de sua origem. Isso também possibilita maior rotatividade do elenco. Bethany England é uma das jogadoras que está sendo mais utilizada nesta temporada, sendo responsável por gols importantes como na partida contra o Wolfsburg. Lauren James, quando tiver condições de jogo, também poderá atuar tanto nas alas como no trio de ataque.

Por outro lado, vale lembrar que as duas partidas que tiraram os 100% de aproveitamento do time, contaram com muitos erros na defesa, principalmente pela ausência de laterais para a marcação das ponteiras adversárias. Dessa forma, apesar de o ataque ter melhorado consideravelmente, a equipe tem sofrido mais com os contra-ataques adversários do que quando se estruturava em um 4-3-3 (sofreu apenas 10 gols nas 22 rodadas da liga inglesa e nove gols na Champions League).

Além disso, Pernille Harder também melhorou o seu aproveitamento de jogo. Conta com cinco gols na temporada, é peça fundamental na troca de passes durante a partida e está cada vez mais participativa. Outra peça a se ressaltar é Jessie Fleming, campeã olímpica com o Canadá, que pode se tornar essencial ao meio criador da equipe, mas Hayes está concedendo tempo de jogo para a jogadora gradativamente.

Jessie Fleming foi um dos principais nomes do Canadá em Tóquio 2020. Foto: ChelseaFCW

Assim, o Chelsea conta com qualidade de elenco para a briga pelo título da liga inglesa e da Champions, porém, Hayes terá que ser mais cautelosa em suas escolhas. Está a três pontos do líder Arsenal, o que exige mais comprometimento na busca de cada três pontos, principalmente porque o próximo confronto direto será apenas no returno. No campeonato europeu, está empatado com o Wolfsburg na liderança com quatro pontos e tem pela frente duas partidas contra o Servette para fazer saldo de gols.

E para você, o Chelsea é favorito à conquista de algum título nesta temporada?

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